segunda-feira, 2 de maio de 2011

quando as mãos descolaram

Alguns amigos seus já sobem a rampa que dá acesso à sua sala desacompanhados, querida. Muitos insistem para os papais deixá-los fazerem isso sozinhos. Querem sentir o orgulho da independência. É bonitinho vê-los assim, cheios de si. Felizes com a conquista.

Sempre subimos a rampa juntas. Você, carregando a sua mochila. A outra mão colada na minha. Seguimos assim, tranquilas, até chegar à sala de aula. Lá, tia Iane te recebe com todo o carinho, junto com tia Sandra, a assistente dela. Mas muitas vezes, muitas mesmo, te deixar com elas vira um nó danado. Você não quer ficar. Diz que prefere estar em casa comigo. Chora. A lágrima cai. Implora. E não há argumento que te convença de que a escola é o melhor lugar para você ficar naquele momento. Porque lá você aprende coisas novas o tempo todo. Tem amigos queridos e professoras dedicadas. Brinquedos e historinhas legais. Pra você, parecem todas palavras ao vento.

Um dia, vendo um de seus amigos subindo a rampa sozinho, eu te falei baixinho:

- Filha, quando você estiver pronta pra subir a rampa sozinha um dia, é só me avisar, tá? Mamãe não vai pedir pra que você faça isso até que você esteja pronta, mas posso te dizer que vou ficar feliz quando este dia chegar.

Na úlltima sexta-feira, o dia amanheceu tranquilo. Fomos à escola sossegadas, como na maioria das vezes. Estávamos até meio caladas, ainda que acordando - as palavras com preguiça de sair da boca. Ao passar pelo corredor principal da Vila, você parou. Pediu que me abaixasse para me contar um segredo. E, então, sussurou no meu ouvido:

- Mãe, hoje eu vou subir a rampa sozinha.

Foi um grande dia, meu bem. Como fiquei orgulhosa de te ver subindo, toda contente e com um sorriso no rosto, aquela rampa.

Orgulhosa. E ao mesmo tempo partida ao meio. As minhas mãos já não eram mais tão necessárias.

Sobe, Lelêca, sobe a rampa e vai em frente. Encare com firmeza os passos na direção do alto. Você consegue. Confie sempre. E não tenha medo. Você nunca estará sozinha.

7 comentários:

  1. Meu Deus Vivi, que coisa mais linda!!! Nossa, como meu pequeno é parecido com a prima... Eu não sabia que Lelê ficava assim nas despedidas assim como ele! Tenho Fé que o momento "siga em frente" do meu bebê vai chegar!

    ResponderExcluir
  2. A cada conquista, a cada vitória o meu orgulho fica maior!
    TODOS nós que te amamos estaremos com vc lado a lado em sua caminhada.
    Titia Lalau reza todo dia pra Papai do Céu iluminar tua vida!
    Te amo do tamanho do mundo!
    Cheirinhoooo!

    ResponderExcluir
  3. Fiquei ao lêr com um nó na garganta,não só por nossa Lê, mas por voltar ao passado e me imaginar nessa situação... é isso mesmo a independência chega devagarinho e temos que ir nos "acostumando".É difícil demaisssssssssss .

    ResponderExcluir
  4. que lindo vivi, a segurança que você passou pra ela e só no momento certo ela aceitou. Lindo mesmo, como sua mãe falou, dá um nó na garganta mesmo.
    Beijo. Jeane Tavares

    ResponderExcluir
  5. Minha nossa, que texto lindo. Chorei de emoção. Sou sua fã Vivi, e quando crescer, quero ser uma mãe igual a vc!!!

    ResponderExcluir
  6. Amiga linda, com uma mãe como você, Lelê já descobriu que pode subir todas as rampas sozinha porque se por acaso escorrear e cair, o teu braço sempre estará estendido. Lindo post e saudades das duas!
    Bjs
    Cata

    ResponderExcluir
  7. Amiga, tinha abandonado meus blogs e esta semana voltei. Aí voltei para o teu também, né? E como é bom te ler e me emocionar toda vez... assim a gente fica um pouquinho mais perto.

    ResponderExcluir