segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Por você


"Ame como se ninguém nunca houvesse feito sofrer. Trabalhe como se não precisasse do dinheiro. Dance como se ninguém estivesse olhando. Cante como se ninguém estivesse ouvindo. Viva como se fosse no paraíso. Curta o que de melhor a vida lhe oferece com toda intensidade, como se fosse o último dia de sua vida. A vida muitas vezes é curta, mas mesmo assim seu caminho é longo. Nela aprendemos a sorrir, chorar, amar, sofrer e a renascer, para amanhecer e termos um lindo dia"  

(autor desconhecido)

Te amo, filha. 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

o dia em que você falou "francês"





É tão lindo ver você começar a ler, filha. Foi a grande descoberta destas férias, amor. E aconteceu meio que por acaso. De repente, eu escrevi "picolé" num papel e pouco tempo depois estava você lendo pausadamente pra mim: piiiiii-coooooo-léééééé. "Picolé, mãe!".


Você já consegue ler um montinho de palavras agora: cabelo, piano, fada, tapete, menina, boca, comida são algumas delas.


Semana passada, ousei escrever "jacaré" e imaginei que poderia ser mais desafiador pra você por causa do "R" tremido.


- E agora, filha, o que tá escrito?, perguntei.


E você:


- Ja-ca-rré. Jacarré, mamãe!


Então eu comentei:


- Jacarré ou jacaré, Lê? O que você acha?


A sua resposta?


- Mãe, você não me entendeu... Eu falei jacaré em francês!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

quando as mãos descolaram

Alguns amigos seus já sobem a rampa que dá acesso à sua sala desacompanhados, querida. Muitos insistem para os papais deixá-los fazerem isso sozinhos. Querem sentir o orgulho da independência. É bonitinho vê-los assim, cheios de si. Felizes com a conquista.

Sempre subimos a rampa juntas. Você, carregando a sua mochila. A outra mão colada na minha. Seguimos assim, tranquilas, até chegar à sala de aula. Lá, tia Iane te recebe com todo o carinho, junto com tia Sandra, a assistente dela. Mas muitas vezes, muitas mesmo, te deixar com elas vira um nó danado. Você não quer ficar. Diz que prefere estar em casa comigo. Chora. A lágrima cai. Implora. E não há argumento que te convença de que a escola é o melhor lugar para você ficar naquele momento. Porque lá você aprende coisas novas o tempo todo. Tem amigos queridos e professoras dedicadas. Brinquedos e historinhas legais. Pra você, parecem todas palavras ao vento.

Um dia, vendo um de seus amigos subindo a rampa sozinho, eu te falei baixinho:

- Filha, quando você estiver pronta pra subir a rampa sozinha um dia, é só me avisar, tá? Mamãe não vai pedir pra que você faça isso até que você esteja pronta, mas posso te dizer que vou ficar feliz quando este dia chegar.

Na úlltima sexta-feira, o dia amanheceu tranquilo. Fomos à escola sossegadas, como na maioria das vezes. Estávamos até meio caladas, ainda que acordando - as palavras com preguiça de sair da boca. Ao passar pelo corredor principal da Vila, você parou. Pediu que me abaixasse para me contar um segredo. E, então, sussurou no meu ouvido:

- Mãe, hoje eu vou subir a rampa sozinha.

Foi um grande dia, meu bem. Como fiquei orgulhosa de te ver subindo, toda contente e com um sorriso no rosto, aquela rampa.

Orgulhosa. E ao mesmo tempo partida ao meio. As minhas mãos já não eram mais tão necessárias.

Sobe, Lelêca, sobe a rampa e vai em frente. Encare com firmeza os passos na direção do alto. Você consegue. Confie sempre. E não tenha medo. Você nunca estará sozinha.

domingo, 24 de abril de 2011

jeito de falar

Foi esta semana, meu bem. Quando eu me neguei a ligar a televisão pra você.

- Mamãe, não faça isso comigo. Que coisa "horvorosa".

Ai, baby, desculpa, mas não consegui te corrigir. Na verdade, acho lindo demais te ver falar assim.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

sobre idas e vindas


Hoje foi a reunião de pais na sua escola, meu bem. Lá se vai você para mais um ano de descobertas e aprendizado. Vai ser incrível, como sempre é. E como nos dois anos anteriores, novos amigos chegam e alguns antigos voam em outras direções.

Gustavo e Luna não estão mais na nossa Vila. Quando te contei hoje cedo, você esboçou uma tristezinha, especialmente por causa de Luna. No ano passado, ela passou uma tarde na nossa casa e se divertiu muito com você e suas outras amigas. Depois da notícia, eu liguei pra mamãe dela pra deixar o nosso beijo e desejar boa sorte na vida. A gente faz isso quando gosta de alguém.


Em sentido horário: você, Bela, Lara, Pedro, Luna e Mamá

Tem alguém muito, muito especial que também não vai estar na escola este ano... eu nem te contei ainda. Não tive coragem. Tia Michele, filha, sua tia Mimi. Novos desafios levaram a  nossa querida em outra direção. Falo isso com um pesar imenso porque, confesso, adorava vê-la por lá todas as manhãs, com aquele sorriso meigo e um abraço pronto pra ser dado. Foi a sua primeira professora, junto com tia Mirella. E foi paixão à primeira vista, baby. Daquelas que com o tempo vão se transformando em amor de verdade. A gente ama a tia Mi e vamos amar pra sempre. Perto ou longe, estaremos juntas no amor e na admiração. A gente sente isso quando gosta de alguém.


Te, te, te... amo, amo, amo!

Por outro lado, novos ventos vêm soprando. Paulo Roberto, Mariana e Maria Vitória são seus mais novos amigos. O trio é assim como você: apaixonado por brincadeiras e diversão. Dê a mão a eles, querida. Juntem suas energias e descortinem um ao outro. Na pureza e na alegria.

Ao todo, são 19 amigos, contando com você, na primeira turminha de Infantil III da Vila. A ser comandada por tia Yane, que você já conhecia tão bem ao circular nos corredores da escola. Todo o mundo gosta dela. E ela está louca pra te conhecer melhor. Quem vai ajudá-la nas tarefas da sala é a tia Sandra, que esteve contigo nas últimas semanas do ano letivo de 2010. Abra o seu coração para os novos queridos que chegam, desfrute do prazer de conhecer outras pessoas. É bom.

Sabe, Helena, a vida é assim: cheia de idas e vindas. Quanto às idas, não nos resta muito a não ser entender este processo e agradecer a Deus pela oportunidade que tivemos de conviver por um período com alguém que somou grandes lembranças à nossa história. Sobre as vindas, vale dizer que são caixinhas de surpresa a serem reveladas com o tempo e transformadas em belas amizades. Assim eu espero, amor. Boa sorte.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

o país dos brinquedos

Desde a semana passada você pedia para ver Noddy no país dos brinquedos, no Discovery Kids (seu canal favorito). Mas o horário era tão ingrato pra quem está de férias, filha. Sete da manhã... ninguém merece, né? Mesmo assim, num dia desta semana levantei cinco minutos antes do início do desenho para ligar a televisão, te acordar e fazer uma surpresa. Mas que pena... eu tinha esquecido do horário de verão e o programa já tinha passado. Quando te contei, você ficou arrasada.



Olha a turma do Noddy aí


Desta vez, deu certo. Ontem à noite, coloquei o celular pra despertar às 5:55. Você estava num sono tão bom que nem ouviu quando ele começou a tocar hoje cedo. Liguei a TV no meu quarto e lá estava o Noddy! Num minutinho você acordou. Bastou ouvir a música do Doki tocando. E assistimos juntas ao episódio "Dia do Dominó". Achei ótimo porque na semana passada você jogou dominó pela primeira vez. O Dominó das Princesas do Mar, que você ganhou no seu aniversário de 4 anos.

Lembrei dos desenhos da época em que eu era criança. E do quanto os dias ficavam melhores com os meus personagens favoritos. E eles eram assim:


Os Ursinhos Gummy

Os Smurfs

He-man
Caverna do Dragão

Com você, meu bem, eu aprendo todo dia. A ter a imaginação, a leveza e a simplicidade das crianças. Pra curtir um desenho e ganhar o dia com isso.


sábado, 22 de janeiro de 2011

sobre princesas modernas



Ela é jovem, pobre e viu o seu papai morrer cedo demais. Seu nome é Tiana. Moradora de Nova Orleans, nos Estados Unidos, o sonho desta moça é abrir o seu próprio restaurante. Tiana é bela, uma negra de olhos expressivos e gestos delicados. Canta belamente. Para transformar seu maior desejo em realidade, o desafio é superar uma série de obstáculos, especialmente o financeiro, pois talento ela tem de sobra. Tiana é a mais nova princesa da Disney, meu bem. A mais vanguardista de todas. Ainda bem.

Perceba: ela quer muito trabalhar. Pra desfrutar do prazer de fazer o que se gosta e deixar as pessoas felizes com isso. É ela quem arregaça as mangas e trabalha duro num restaurante de sua cidade para juntar todas as economias possíveis. De sol a sol, com muito esforço, ela tenta. Mas é difícil.

No meio do caminho,ela encontra um sapo maluco que um dia já foi príncipe e acaba virando uma sapa também. Os dois vivem verdadeiras aventuras e lutam bravamente contra todas as forças opostas. Sem notar, vão se apaixonando.

No final da história, ambos voltam ao normal. Ele, um lindo rapaz, mas um príncipe nada encantado. Naveen, cheio de virtudes e também defeitos, assim como todos nós. Ela, uma moça ainda mais forte e determinada, que recebe o amor de Naveen, mas continua firme em seus propósitos, e bastante teimosa.


Tiana é a minha princesa preferida. Porque reflete o nosso tempo. Um tempo em que o amor-próprio, a coragem e a independência ganharam força. E o coração, espaço certo para os queridos príncipes da vida moderna.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

a pergunta do dia

- Mãe, meus rins estão com sede.
Me dá água?

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O rim é um órgão do nosso corpo que parece uma castanha de caju. Temos dois. Eles adoram beber água. E é claro que foi o papai quem te ensinou isso, amor.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Hoje...

... você acordou feliz porque conseguiu derrotar uma baleia apertando as bochechas dela no seu sonho mais criativo.

Ontem...

...  na sorveteria você pediu sorvete de
doce de leite e milho verde.

sábado, 15 de janeiro de 2011

picolé salgado


Foi no Mirabilândia. Helena e Luana estavam no bate-bate infantil e Malu e eu ficamos esperando sentadas num banquinho. Elas já tinham tomado um picolé há pouco tempo. E já era noite, hora de um lanche mais reforçado. Só que Malu queria outro ice-cream.

Malu linda, titia quase nunca mente para as crianças porque acha feio esse hábito. A verdade é sempre muito mais bem-vinda. Na maioria das vezes.

Segue o diálogo:

- Tia Vivi, eu quero outro picolé.

- Ô, amor, agora só tem de jerimum. Acabaram os outros sabores. Que pena...

Um minuto de silêncio.

- E picolé de jerimum é ruim?

- É péssimo, princesa, acredite. Jerimum só é bom em sopa.

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

o fantástico mundo de Helena


Hoje foi mesmo um dia terrível, que começou cedo, cedo, perto das duas horas da madrugada. Toda a canja de galinha que você comeu tão bem na hora do jantar foi posta pra fora. Por isso, a nossa estadia na Barra, com a sua tia Baioca, durou algumas horas a menos. Até o começo da manhã, contamos juntas 16 vômitos, a maioria deles água pura.

Voltamos para o Recife, encontramos o papai e Nenê e fomos todos para o Santa Joana. Foram três sacos de soro, uma injeção de Plasil e milhões de litros de lágrimas.

Agora já é de noite e faz algum tempo que você não vomita nada. Está quase na hora de dormir uma noite que eu espero que seja mais tranquila. E você acaba de comentar:

- Mamãe, hoje de manhã, na hora do sorinho, eu vomitei tanta água que parecia meu Splash Baleia, né?




Foi mesmo, Lê. Por um dia, você virou uma grande baleia espirradora de água. Minha baleinha.

desejo


- Filha, toda vez que a gente vê uma estrela cadente no céu, pode fazer um pedido especial. O que você vai querer?

- Hum... eu quero muito ser uma heróína com capa. E voar.

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Sua amiga querida, Malu, pediu mais uma Little Mommy, que não sei onde vai ser colocada, pois no quarto dela já não cabe mais, né, tia Baioca? rs

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Foi numa noite linda na casa de tia Ju, em Barra de Sirinhaém, deitadas sobre uma grande esteira, que nós três conversamos sobre estrelas, nuvens e imaginação. Naquela noite, as nuvens que passavam sobre a nossa cabeça estavam indo para a festa da Dona Gaivota, com muita chuva de morango e bolos estrelados para os convidados. Depois, o céu ficou limpinho e até encontramos as Três Marias. Fazia tempo que eu não me sentia tão perto do alto. 

sábado, 1 de janeiro de 2011

generosidade



Sua infância tem sido bem diferente da minha, meu bem. Especialmente quando falamos das oportunidades que um pouco mais de dinheiro geram. Nunca tive a metade da metade dos brinquedos que você possui. Por isso, quando te vejo ganhando mais e mais, fico meio paranoica, com medo de que você não valorize e ache tudo muito fácil. Isso bate com mais intensidade em épocas como o Dia das Crianças, o seu aniversário e o Natal - eventos que ocorrem num período curto de três meses seguidos.

De repente, entre as bonecas, você já contabiliza 12 Barbies e três daquelas que falam, choram, comem papinha e fazem xixi de verdade. Um dia desses, eu te falei que nem todas as crianças vivem da mesma forma, e o quanto é importante valorizar o que se tem. Não desejo, amor, que você seja daquelas pessoas que sempre têm tudo e vivem insatisfeitas. No meio dessa nossa conversa, dei a mim mesma como exemplo.

- Meu bem, quando eu tinha a sua idade, tudo o que a mamãe queria era uma boneca carequinha, que não falava, não comia e não fazia xixi, mas era linda. E e nunca tive porque custava muito dinheiro pro bolso do vovô e da vovó. Veja bem, você já tem as melhores bonecas. Não precisa ter mais e mais e mais.

A sua resposta, verdadeira e comovente:

- Mas, mamãe, não se preocupe. Que tal se a gente pegar as moedas do meu porquinho pra comprar a sua bebê?

super memória



Quando seu pai viu a coleção de trenzinhos do Thomas e ses amigos na Ri Happy, ficou enlouquecido. Aquilo ali aflorou a criança que um dia ele foi - e que ainda se faz viva. E então Edu pediu um trenzinho daquele de Dia das Crianças. Mas, filha, eu não levei a sério. Depois, veio o aniversário dele, e nós não demos o trem do Thomas pro seu pai.

Há poucas semanas, estivemos juntas na Ri Happy para as compras de Natal das crianças. E, então, você lembrou:

- Manhê, a gente tem que comprar o trem do papai! E dar de surpresa a ele!

E assim aconteceu.

Foi demais ver a sua cara e a cara do seu papai quando juntos desembrulharam o presente. Nosso Edu ficou mesmo surpreso quando eu disse que aquilo tudo tinha sido ideia sua e perguntou:

- Minha filha, você se lembrou do presente que o papai queria ganhar, sua danada?

A sua resposta:

- Lembrei sim, papai, porque eu tenho uma memória eletrônica!