quinta-feira, 18 de novembro de 2010

uma meia perdida

- Este é o dia mais terrível do mundo!

Você estava inconsolável, amor.

- Eu nunca perdi nadinha das minhas bonecas. Coitadinha da Felisberta!

A meia da sua mais nova filha, Lê, tinha sumido no mesmo dia em que você ganhou a boneca de presente de Nenê. Podia estar na calçada por onde andamos, na loja onde compramos o seu vestido, na casa de tia Sandra Othuki... mas nada. Procuramos, procuramos, e nada.

- Ela está com frio no pé, mamãe. Quanta pena!

Foram 24 horas de aperreio. Mas a boa notícia veio ontem à tarde. A meia de Felisberta tinha sido achada debaixo do balcão da loja de bijuteria onde comprei o colar que você vai usar na sua festinha de aniversário amanhã, na escola. Que alívio, hein?

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Estacionamento do Shopping: R$4,00

Caixinha de papelão da Escrita Fina: R$4,90

A felicidade da filha quando encontra a meia da boneca: não tem preço.

madame Helena e sua bola de cristal



Reservar. Esta é uma de suas palavras preferidas quando entramos numa loja de brinquedos, filha. Se percebe que não vai ter jeito de conseguir convencer a gente de comprar algum brinquedo, você corre para o vendedor e fala:

- Moço, reserve pra mim, viu? Helena o meu nome.

Esta semana, eu já estava na fila pra pagar as maletas de artes que a gente vai dar de Natal pra Malu, Mamá e Clarinha quando te vi de papo com uma vendedora - duas caixas na tua mão. A moça veio em minha direção.

- Senhora, ela pediu pra reservar para o irmãozinho, pode ser?

Era uma lanterna e uma bola inflável do Homem-Aranha...

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É muito lindo ver que o seu futuro irmãozinho já possui espaço em sua vida, minha sapeca. Aos poucos, mesmo sem ainda ter sido gerado, ele vai ocupando lugar no seu coração e no seu dia-a-dia. Não tenho a menor dúvida de que você vai ser uma super-irmã, como Dora, a Aventureira, com seus irmãos super-bebês. Formando, com o papai e a mamãe, uma super-família. Sua linda.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

o nome dela é Dilma


Só eu acho Dilma parecida com tia Oara
Pela primeira vez na história do nosso país, filha, uma mulher foi eleita presidente do Brasil. O nome dela é Dilma. Dilma Rousseff. Antes, apenas homens haviam passado pela presidência da República. Lula (que você perguntou se era o Lula Molusco, do desenho do Bob Esponja), Fernando Henrique, Itamar, Fernando Collor, Sarney.

Quando você estiver com a minha idade, por volta dos 30 anos, talvez já seja comum uma mulher executando atividades diversas e assumindo funções como a de presidente da República - e eu espero que sim. Mas hoje, Helena, este é um grande feito.

Algumas décadas atrás, no Brasil, o direito de votar era apenas dos homens, sabia? Mas veja só: hoje, além de votarmos, estamos também nos fazendo presentes na política - devagarzinho, mas em porções cada vez maiores. Uma luta permanente. Pra você ter uma ideia, quando a mamãe trabalhou na Câmara Municipal do Recife, dos 36 vereadores, três eram mulheres. Grandes mulheres. Priscila Krause, Aline Mariano e Marília Arraes. Mas uma legislatura antes, apenas Luciana Azevedo (mulher excepcional) ocupava uma cadeira na Câmara. Avançamos.

Direitos iguais. Chances semelhantes. Nem mais, nem menos. Pra o mundo entender de uma vez por todas todo o nosso potencial de contribuição. Viva! 

coisa de menino



Amigos homens sempre têm uma forma especial de se chamarem quando conversam uns com os outros, filha. Uma forma menos carinhosa e mais esquisitinha do que nós quando falamos com nossas amigas. Você sabe, a gente se chama de amiga, fofaquerida ou linda.

Foi neste fim de semana. O telefone do papai tocou. Era Demetrius, amigo de longa data de Edu.

- Fala, ladrão.  

Você tomou um susto com a frase do papai. E olhou pra mim, confusa e assustada.

- Mamãe, papai tem um amigo ladrão!

Expliquei pra você que aquela era uma forma meio maluquinha de chamar um amigo. Coisa de homem que meninas e mulheres não entendem muito.

Àquela altura, o papai e o tio Demetrius já tinham conversado e estavam quase desligando o telefone. E, então, Edu se despediu:

- Vai nessa, papai, a gente se fala mais tarde, então. Tchau.

Coitadinha. Você ficou mais confusa ainda - e exclamou:

- Mamãe, o ladrão é pai do papai, meu Deus! Pai do papai!