segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Josué


Hoje de manhã, encontrei o moço que limpa os vidros do restaurante do hotel onde estou hospedada aqui em Maceió, filha - o mesmo onde você esteve no primeiro turno da campanha pra governador. Cumprimentei, dei um sorriso e ele retribuiu. Em seguida, perguntou sobre você. Expliquei que a sua chegada estava marcada para a próxima semana, e ele revelou:

- A sua menina é especial, senhora. Eu comentei com a minha esposa. A sua filha é humilde. Cuide bem dela. Sempre.  

Minha linda, ele falou aquilo com uma verdade tão grande que me emocionou na mesma hora. Agradeci, apertando a sua mão, mas a vontade era de abraçá-lo fortemente e me debulhar em lágrimas.

Todos os dias, no café da manhã, quando você chegava ao restaurante, lá estava ele do lado de fora limpando os vidros das janelas. Então você imitava, com um sorriso no rosto, todos os gestos dele. Limpa de cima pra baixo com aquele rodinho e joga a água da espuminha longe. 1,2,3, pá! 1,2,3, pá!

Então eu te falei:

- Vai lá, filha, pergunta o nome dele.

Josué. Naquele dia, ele te ensinou a limpar os vidros de uma janela. Entregou na tua mão o rodinho, deixou que você o mergulhasse na água e limpasse um janelão inteiro. Foi lindo de ver. Você achou o máximo - e ele também, e eu também.

Depois disso, todas as manhãs, na hora do café da manhã, você corria em sua direção e dizia, com toda a sua alegria:

- Bom dia, Josué!

Certa vez, não o encontramos por lá. E você saiu perguntando por ele a quem quer que passasse na sua frente. Ele estava de folga, disse a camareira.

Talvez nenhum outro hóspede tenha perguntado o nome dele, ou feito questão de dar bom dia todos os dias, ou se interessado pelo seu trabalho. Então, você deu a aquele homem um presente. E ganhou outro muito valioso também: as boas vibrações, os bons pensamentos.

Meu dia hoje começou com as palavras do Josué. Que me acompanham até agora.

domingo, 17 de outubro de 2010

passe adiante


Correntes do bem estão espalhadas por aí, amôre. As manifestações em favor da paz e da humanidade têm crescido. Continua uma luta árdua pelo fim da intolerância, da desonestidade e do egoísmo. No mundo inteiro, guerras, preconceito e corrupção ainda dão trabalho. Mas a boa vontade em nome de um mundo mais humano tem surtido um efeito "em cascata" fenomenal. E deve ser assim. Eu já te apresentei esse pensamento do Martin Luther King:

O que me preocupa não é o grito dos maus.
É o silêncio dos bons. 

Hoje, ganhei um presente. Conheci uma fundação chamada Para uma Vida Melhor. A ideia é nutrir e passar adiante valores que parecem meio esquecidos hoje em dia. Para isso, eles também têm um site (clique aqui) lindo, lindo, lindo. Um convite para que todos nós paremos um pouco para navegar rumo às escolhas certas. As escolhas certas, Helena. Que devem ser banhadas de integridade, superação, sacrifício, generosidade, otimismo, respeito e amor. O site é um oásis virtual.

A mamãe ficou tão apaixonada pelos comerciais de TV que eles criaram - e que distribuem de graça-, que até pediu um DVD com o material para que a gente comece a criar a nossa corrente do bem, começando por sua escola. Material que deve chegar daqui a pouco mais de um mês, se eu for aprovada. E que também vou guardar na sua caixa de memórias, que já está bem abarrotadinha. 

Para os amigos e amias que chegaram até aqui, é hora de parar 60 segundos. Dar um tempo no que estiver fazendo. Para pensar nisso daqui:


E olha que outdoors incríveis:








Eu amei. Amei.
                               


sobre honestidade




Todos nós precisamos saber o que significa ser honesto. Honestidade é muito mais do que não mentir.
É falar a verdade, contar a verdade,
viver a verdade e amar a verdade.
(James E. Faust)

*********************************************************************************

Que coisa linda, minha filha. A honestidade. A verdade. Andar com elas. Faz um bem danado. Todas as vezes em que eu caminhei um pouco distante das duas, senti um peso imenso em minhas costas. Certa vez, encontrei dinheiro no chão de um shopping e peguei. Cheguei até a perguntar às pessoas que estavam por perto se não tinha caído do bolso delas. Mas não tinha caído. Peguei a nota e guardei na bolsa. Voltei para casa pensando. Eu não sabia quem era o dono da nota, mas tinha ao menos uma certeza: não era minha. Por isso, deveria ter deixado no mesmo local em que a encontrei. Para que o dono pudesse pegá-la. Ou para deixar o gesto feio para outra pessoa que não eu. Em outra oportunidade, recebi o troco do caixa de uma lanchonete num valor maior do que o correto - e não aceitei. Desta vez, voltei pra casa feliz. Porque fiz a escolha certa. 

sobre compartilhar

reginaldotech.com.br

Qualquer coisa que temos dobra de valor quando temos a oportunidade de compartilhá-la com o próximo.
(Jean-Nicolas Bouilly)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

10 coisas que o papai adora

1. Dar risada

 2. Música



3. Chocolate




4. Ver televisão



5. Ouvir - e falar




6. Sinceridade - com delicadeza




7.  Viajar - a mais recente novidade é Dubai, nos Emirados Árabes, para tomar banho de piscina a 200  metros de altura, na Marina Bay Pool...  Este é o seu pai, Helena (risos).






8. Trabalhar



9. Praia




10. Ar condicionado



10 coisas que a mamãe adora

1. Estar acordada


2. Cheiros bons


3. Abraço


4. Não pensar em nada de vez em quando



5. Viajar para qualquer lugar, e mesmo pra dentro de mim mesma



6. Olhar nos olhos


7. Vestidos

8. Sobremesas


9.  Fotografias



10. Dirigir 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

e tudo continua

Imagine que você está à beira mar e vê um navio partindo. Você fica olhando, enquanto ele vai se afastando, se afastando, cada vez mais longe, até que finalmente parece apenas um ponto no horizonte - lá onde o mar e o céu se encontram. E aí você diz: pronto, ele se foi. Foi aonde? Foi a um lugar que a sua vista não alcança, só isto. Ele continua tão grande, tão bonito e tão importante como era quando estava perto de você. A dimensão diminuída está em você, não nele. E naquele exato momento em que você está dizendo "ele se foi", há outros vendo-o aproximar-se e outras vozes exclamando com júbilo: Ele está chegando!

(Henry Sobel)

*****************************************


Minha doce Helena, o infinito existe. E tudo continua. Mesmo quando a gente acha que a vida acabou. E não há terreno mais fértil para continuarmos existindo do que o coração daqueles que nos amam. Ali passamos a residir eternamente.

Este texto do rabino (que significa "aquele que ensina", "mestre") Henry Sobel é um guia para mim, amôre. Faz alguns anos que li estes pensamentos pela primeira vez - e me senti profundamente atingida por esta grande lição. Sempre pensei assim também, exatamente assim. E acredito firmemente em cada palavra de Sobel, cuja religião é o judaísmo. Lê sobre isso, que é muito interessante.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

a gente se acostuma, mas não devia

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

(Marina Colasanti - 1972)

************************************************

Marina Colasanti nasceu na África, amor, mais precisamente na Etiópia. Viveu a maior parte da infância na Itália e depois, aos 12 anos, veio para o Brasil. Ela publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu um prêmio, chamado de Jabuti, com o livro "Eu sei, mas não devia" e também por "Rota de Colisão".


Quando eu tive acesso a "Eu sei, mas não devia", ainda era adolescente e estudante de jornalismo. Foi paixão à primeira vista. Tocou fundo.

faça o amor bonito


"Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: aprenda a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender.

Tenho visto muito amor por aí, amores bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, que esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebem ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões.

Ter razão é o maior perigo no amor. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reinvindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer.

Quem espera mais do que isso sofre e, sofrendo, deixa de ser alegre, igual criança. Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, “aquela conversa importante que precisamos ter”, arquivar as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca.

Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos): ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora. Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente. Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido).

Seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem medo de dizer eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonitar fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito, sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é e nunca deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível ser.

Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz."

(Artur da Távola)

*************************************************************

Este, meu bem, é um dos meus textos preferidos sobre o amor. Faz tempo que descobri estas palavras preciosas de Artur da Távola, brasileiro do Rio de Janeiro que morreu com pouco mais de 70 anos na década de 80 e era jornalista, escritor e homem sensível. Pode ser um texto um pouco denso para seus primeiros anos, mas valioso o suficiente pra te esperar um pouco mais. Leia e releia sempre que possível. Salve o amor, Helena.

domingo, 10 de outubro de 2010

sobre irmãos

Vamos com calma, amor,
vamos com calma, please...

- Você quer ter irmãozinhos um dia?

A vendedora da loja de brinquedos tentava uma aproximação com Helena.

A resposta dela?

- Quero sim, um irmãozinho E uma irmãzinha, NA MESMA BARRIGA.

A pergunta que não quer calar, sua danadinha, é de onde você tirou essa ideia... Só você mesmo, Helena, só você.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

gasolineiro

O gasolineiro ou frentista

A curiosidade é uma de suas maiores características, queridona. E foi assim quando paramos para abastecer o carro mais uma vez.

- Mãe, qual o nome do gasolineiro?

*****************************

Frentista, baby. As pessoas que trabalham abastecendo os carros nos postos de gasolina são chamadas de frentista. Mas podiam mesmo serem gasolineiros.

E o nome dele, conforme você mesma ouviu, é Renato. :)

buraco pra se danar

O Recife tá no buraco mesmo

Foi esta semana, levando Lelê para a escola. Passamos por uma rua perto de casa realmente muito esburacada. Desviava de um buraco, e caía noutro. A boneca reclamou:

- Mamãe, quanto buraco!

E eu falei:

- Pois é, filha. O asfalto é até bem firme, mas quando chove vai entrando água aos pouquinhos e aí ele vai ficando cheio de falha. E se chover demais, os buracos vão surgindo e ficando cada vez maiores. Mas existe um pessoa chamada prefeito que cuida da nossa cidade e então tapa esses buracos.

No outro dia, na mesma rua, no mesmo horário, caímos em todos aqueles buracos novamente. E Helena ficou indignada:

- Meu Deus, cadê esse prefeito que não aparece???

******************************************

institutomauriciodenassau.com.br

O nome dele é João da Costa, amor. É um político que faz parte de um partido chamado Partido dos Trabalhadores, ou PT. Desde que você tinha pouco mais de dois anos, ele é como se fosse o grande cuidador da nossa cidade. Mas está mesmo precisando cuidar melhor dela.