quinta-feira, 16 de setembro de 2010

sobre trabalho

É só parar um pouquinho e observar a dinâmica da vida ao nosso redor. As coisas não param, não é mesmo?  Cinco minutos circulando pelas ruas da nossa cidade são suficientes.

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Veja: os ônibus estão sendo guiados por motoristas. O trabalho deles é levar as pessoas aonde elas precisam. Eles têm ajuda do cobrador, que recebe o valor das passagens e passa o troco para os usuários. Ali na esquina, os guardas cuidam de organizar o trânsito e garantir a segurança de pedestres e pilotos. Aquela senhora com uma pasta na mão e farda azul marinho descendo do coletivo meio apressada é professora da escola perto da nossa casa. O trabalho dela é ensinar as crianças a ler e a escrever. Avexada, a mulher quase esbarra no gari, que limpa cuidadosamente o chão pra deixar as calçadas sempre limpas. O gari mora num conjunto residencial num bairro um pouco distante do nosso, construído por um punhado de operários. Tijolo a tijolo, aqueles homens ergueram os sonhos de inúmeras famílias - como a do gari. Quando os prédios ainda estavam sendo levantados, os operários trabalhavam muitas, muitas horas por dia, e se alimentavam de quentinhas servidas por uma senhora que tinha um tempero irresistível. O trabalho dela era, então, preparar o almoço daquela rapaziada toda: frango guisado, arroz, feijão com jerimum e salada de alface, cebola e tomate. Para beber, suco de abacaxi ou acerola. De sobremesa, bolacha com goiabada.
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A maioria dos adultos trabalha, sabe, filha? Cada um tem grande importância no funcionamento da vida em sociedade. O que seria de nós se as pessoas não trabalhassem? Dá pra imaginar?

Numa ida ao supermercado, por exemplo, encontraríamos prateleiras vazias porque não haveria quem produzisse os alimentos. O local estaria coberto de pó por causa da ausência de auxiliares de limpeza. Ao voltar pra casa e ligar a televisão, nenhum canal funcionaria porque a equipe de TV estaria em casa, preferindo descansar o tempo inteiro. Se tivéssemos febre e precisássemos ir ao médico, não encontraríamos nenhum nos hospitais e continuaríamos doentes. Os brinquedos deixariam de existir porque não haveria mais operários de fábrica para montá-los.

TV fora do ar

A mamãe começou a trabalhar muito cedo, Lê. Pra ajudar o vovô e a vovô, sabe? Porque outra coisa boa do trabalho, além de deixar a gente feliz de estar contribuindo com os outros, é poder ganhar dinheiro com isso pra viver com uma coisa que a gente chama de "qualidade de vida". O meu primeiro emprego foi no Shopping Center Recife, como vendedora. Vendi sapatinhos de criança, acessórios de mulher, roupas e tênis esportivos - numas cinco lojas diferentes. Depois, trabalhei como recepcionista de uma churrascaria muito conhecida na nossa cidade - o Porcão, que nem existe mais. Daí, consegui alguns trabalhos como demonstradora em feiras e eventos. Nesta mesma época, fui fiscal de provas na escola onde eu tinha estudado - o Colégio Atual. Até que ingressei na Universidade Federal de Pernambuco para ser jornalista.

Uma das lojas onde a mamãe trabalhou: a Guess

Hoje, a sua mamãe está feliz apresentando o Pernambuco Dá Sorte e trabalhando numa campanha política em Maceió. Mas muitas águas já rolaram. Antes disso, a mamãe apresentou um programa político no Recife, o "TV Câmara", na TV Universitária. Oito anos, acredita? Foi repórter de muitas festas de São João e Carnaval pela TV Jornal e pela TV Tribuna. Apresentou um programa de culinária junina chamado "Colher de Pau" e outro de entrevistas, o "Opinião Pernambuco". Em outros tempos, espalhou entre as pessoas a notícia de um circuito sinfônico formado por jovens músicos da Orquestra Jovem do Conservatório Pernambucano de Música. E fez alguns comerciais para a TV. De plano de saúde, de loja de eletrodoméstico, de supermercado.

Você já conhece este cenário, meu bem.

É bom, Helena. E eu recomendo, filha. Um dia, você também vai poder ajudar a nossa cidade e as pessoas. Você vai poder escolher como quer fazer isso. E o único conselho que eu te dou é que você possa trabalhar fazendo o que você gosta. Pra ser mais feliz. E viver melhor.

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Com a idade que tem hoje, é normal que você ainda ache ruim a mamãe sair pra trabalhar.

- De novo, mamãe? Você trabalha muito.

Continuo trabalhando, baby, e não posso parar, por enquanto. Porque a mamãe que você ama não seria a mesma mamãe se não pudesse realizar - e se realizar - coisas através do trabalho.

Mas já trabalhei mais, amor, acredite. Era na época em que achava que nada mais podia ser tão gratificante. Mas aí veio você. E tudo mudou. Pra melhor e melhor. Mamãe já está tentando diminuir o ritmo. Porque pra sempre, só você. Você e seu papai. Você, seu papai e a gente. Viu? 

Um comentário:

  1. Viviiiiiiiiii
    É por essas e outras que sou sua fã. Desde a primeira vez que tive a oportundiade de conhecer sua trajetória de vida, generosidade e humildade em pessoa que me encantei.
    Fico feliz por sua felicidade.
    Beijo no coração

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