quarta-feira, 29 de setembro de 2010

vende-se tudo

Era uma senhora de pouco mais de 60 anos. Cabelos grisalhos, desalinhados, pele branca, olhos verdes, dentes ligeiramente separados, acima do peso. Uma quantidade considerável de rugas. Olhar e sorriso perturbados e perturbadores. Morava sozinha, de aluguel. E foi personagem de um documentário a que assisti ontem. A casa dela não era uma casa. Era um montão de lixo e comida podre.

Ela tinha um problema sério. Comprava muito mais comida do que a quantidade de que precisava. E adorava promoções. Não resistia a nenhum tipo de alimento que estivesse anunciado com preço mais baixo. Lotava a geladeira, o balcão da cozinha, a mesa da sala, o assento das cadeiras, o sofá e todo e qualquer canto da casa onde houvesse espaço. Era tanta comida na geladeira e congelador que a mulher usava fita adesiva para fechar a porta. Caldos de cores e cheiros esquisitos pingavam, restos de comida a escorrer pelas prateleiras geladas. Alimentos com um, dois anos vencidos, e abóbora, queijos e maçãs apodrecidos só faziam a alegria das moscas mesmo. Eram muitas - assim como a quantidade de gatos. A desorganização daquela senhora era outra característica de assustar. A pia da cozinha tinha pratos sujos há mais de sete dias. Copos se acumulavam no chão. Tralhas, roupas, eletrodomésticos e eletroeletrônicos: tudo era entulho, jogado de qualquer forma, em qualquer lugar, até no banheiro. Algo estava errado, mas só ela não percebia. 



Tem gente que acha que pode ocupar o vazio
que carrega no coração com bens materiais.
Não é nada disso.
Depois acompanhei a história de um casal com dois filhos que tinham problema semelhante. Ela, uma jovem mãe que comprava além do limite e vivia cheia de dívidas. Ele, um pai com uma dificuldade absurda de se desfazer de objetos materiais. A casa era quase igual à da senhora. A bagunça era tanta, com tantos objetos inúteis espalhados pela casa, que as refeições da família eram feitas na cama de casal, o único lugar livre de quinquilharias. Não dava pra ver a cor do chão - as roupas de todos, sujas ou lavadas, cobriam o piso. O quarto das crianças era todo riscado de lápis de cor e giz de cera. Brinquedos - quebrados ou não - desafiavam quem se aventurasse a entrar naquele cômodo. Um horror.

Existem pessoas cujo trabalho é ajudar outras mais desorganizadas a pôr ordem na casa. E você não imagina a dificuldade que tanto a velhinha quanto o casal tiveram de se desfazer de todo aquele lixo que já não prestava mais para nada. Mesmo quebrados ou inúteis, os objetos ainda significavam muito para eles.


A gente deve colecionar amigos, boas ações e momentos,
mas não isso.

 E veja que curioso, filha. Quando abro hoje o meu e-mail, encontro uma mensagem de tia Rosana com uma história pra fazer a gente pensar justamente no que de fato deve ser valorizado nesta vida. E tenha certeza, não é nada daquilo que podemos comprar. Deixar de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Pensa nisso. Te amo.

VENDE-SE TUDO
(Martha Medeiros)

No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos EstadosUnidos.

O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:

- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.

- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.

Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante.

Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.

No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros..

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.

Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que se torna cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida..

Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio.

Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.

... só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

pra falar de amor

A sua vovó Raquel enviou pra mim um texto lindo, lindo hoje, Lê. Um texto que já fala por si. Um presente pra gente ler sempre que possível. (Sim, porque presentes podem ser gestos, textos, músicas, até um olhar).

satsangcircle.blogspot.com


Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz daquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.   

pra pensar

Guarda esta frase contigo, Helena. Ela diz muita coisa.




"A pressa mais atrasa que adianta"
(Quinto Cúrcio)

a segunda viagem de avião


Você viajou num destes, Lê

O quarto do hotel ficou mais silencioso e menos bagunçado... Você já voltou para o Recife, amor, depois de quase duas semanas de piscina, parquinho e Clubinho do Jacaré. E foi de avião, pra ser mais rápido e não precisar enfrentar quatro horas de estrada - o papai ainda tá meio ressabiado com aquele acidente que aconteceu pouco tempo atrás. 

25 minutos de passeio entre as nuves, pertinho dos pássaros e de uma dimensão que nos coloca em contato consigo mesmos. Você, o papai e Nenê. É... mas parece que o saldo não foi muito positivo, não. A primeira coisa que você falou ao chegar ao saguão do aeroporto da nossa cidade:

- Papai, não foi uma experiência divertida.

Tadinha de você, filha. O papai me contou que o seu coração batia mais acelerado do que  britadeira em funcionamento. A decolagem e a aterrissagem foram batizadas com gritos iguaizinhos aos dados por adolescentes em montanhas-russas de parques temáticos. O pior é que você tinha que ficar no seu assento, com o cinto afivelado. Ainda bem que foi rápido, mas pra você, amôre, deve ter sido uma eternidade, como foi pra mim quando viajei pela primeira vez de avião. Pra ver minha madrinha Didida, em Belém do Pará.

Lembro que era noite, e pela janelinha só via a escuridão de um céu limpo e iluminado apenas pelas luzes daquela aeronave. Estava frio lá dentro e eu usava um casaquinho e calça comprida. Na hora do lanche, derramei suco de laranja e me molhei toda. Lembro de tudo isso, mas não de sentir medo. Quem estava ao meu lado era a vovó. Só nós duas. Eu acho. 

A sua primeira viagem de avião foi pra Curitiba, no Paraná,  quando você tinha um ano e meio - ou um pouco mais. A gente foi ver o espetáculo do Cirque du Soleil. Eu, você, o papai e Nenê. Por ser muito pequenina e não saber exatamente o significado daquilo tudo, a viagem correu de forma calma e sem atropelos - a não ser pelo fato de que você queria mamar o tempo inteiro. A volta é que foi um pouco pior, muito por conta de uma virose chata e incoveniente que tomou conta do seu corpinho a partir do primeiro dia no sul do país. 

Precisamente, temos pela frente cinco meses até a próxima aventura. Sete horas mais longa do que os 25 minutos Maceió-Recife. Desta vez, eu, você e o papai. E DVD's, revistinhas de colorir, pirulitos e Toddynho, quebra-cabeças e tudo o mais que puder te ajudar a voar rumo à Disney com o coração sossegado e feliz. Não precisa ter medo. Primeiro porque estaremos juntos. Depois porque o avião é mais seguro do que todos os outros meios de transporte. E nada de ruim vai te acontecer. Pode crer. 

sábado, 25 de setembro de 2010

adulto também leva bronca


ochatoentediante.blogspot.com

Era horário de almoço e a praça de alimentação do shopping de Maceió estava lotada. Estávamos eu, você e o vovô, filha. A vó Raquel preferiu ficar no quarto do hotel porque tinha tomado café da manhã mais tarde do que a gente. Estava sem fome.

Parei no Cabôco Faminto pra fazer o seu prato. Um talinho de cenoura cozida, uma porção de arroz, macarrão sem molho e carne ao molho madeira. Suco de uva pra acompanhar. Sentamos numa mesa perto do restaurante, e ao nosso lado estava um homem que também é hóspede do nosso hotel. Conversando, você soube que ele é engenheiro e se chama Ricardo. Ele também estava almoçando, sozinho. De certa forma, quando a gente se sentou junto à mesa dele por acaso, ele passou a ter a sua companhia. E terminou o almoço antes da gente. Ainda restava comida no prato dele. E enquanto o seu novo amigo se levantava e se despedia, você, com os olhos arregalados, tratou de alertar: 

- Mas olha só o seu prato! Deixou comida, hein? Você sabe: por causa disso, vai ficar sem sobremesa...

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Hoje de manhã, encontramos Ricardo de novo, desta vez no hotel, no café da manhã. Quando você o viu, perguntou bem alto, soltando sorrisos de todos os outros hóspedes presentes ao restaurante:

- E então, moço, não vai deixar nada no prato hoje, viu? Senão vai ficar sem sobremesa mais uma vez! Olhe, olhe...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

peito de ouro

ninabebes.blogspot.com

Você tinha uma semana de vida, baby. E como papais de primeira viagem, eu e Edu achamos legal se a gente recebesse na nossa casa a visita de "Gerusa Mãos-de-Fada". Foi assim que me falaram dela. Uma enfermeira que sabia tudo sobre amamentação. Que ia pessoalmente na casa dos bebezinhos para ensinar a melhor forma de as mamães darem o peito a eles. Tudo corria muito bem entre mim e você, mas queríamos ter certeza.

- Nove entre dez mães queriam ter o seu peito, e nove entre dez mães desejariam que seus filhos pegassem o peito como a doce Helena pega. A décima mãe não conta porque é você.

Foi uma melodia para os nossos ouvidos.

Um ano e um mês de muitas mamadas. Muitas noites cortadas por três, quatro leitões demorados. Nenhuma rachadura. Nenhuma dor. Nenhuma fisgada. Nenhuma mastite. Nada. Só prazer. É pura sorte, querida. Posso te garantir que foi uma das experiências mais incríveis pra mim.

Só não esperava que, mesmo depois de este peito molenga secar, você ainda ia querer a companhia dele, especialmente à noite, antes de dormir.

Seu aniversário de 4 anos vai ser comemorado daqui a dois meses. E até hoje você gosta de dormir amassando ele, alisando (como quem está ajeitando um travesseiro), segurando com o polegar e o indicador o bico nada pequeno da mamusca - e retorcendo o coitado, algo semelhante ao antigo hábito de sintonizar o botão da rádio em busca da emissora favorita. E, olha só você, ainda curte mamar. Mesmo sem leite. Como se fosse uma chupeta amiga.

Esta semana, depois de muita inistência sua para dormir "mamando", coisa com que a mamãe está tentando acabar, eu perguntei de forma direta e curiosa:

- Filha, por que você ainda gosta tanto desse peitolo da mamãe, hein? Você já é uma garotinha, amôre...

E sabe o que você respondeu, da forma mais doce e poética que palavras poderiam ter?

- Porque eles me fazem sorrir.

bullying


Quero dar um abraço demorado em Márcia

Eu devia ter uns sete anos. E no sexto andar do meu prédio morava uma menina que tinha a minha idade. Ela tinha outros dois irmãos e morava apenas com a mãe.  Algum tempo depois, foi morar em outro prédio e nunca mais encontrei de novo.

Várias vezes ao longo desse tempo eu me lembrei dela. E várias vezes também fui tomada por um sentimento de remorso horroroso por causa de coisas feias que fiz naquela época junto com outros amigos do prédio. Seria reconfortante poder encontrá-la de novo pra pedir desculpas - e tirar do peito um peso verdadeiramente "pesado".

Ela era loirinha, e tinha os cabelos crespos, volumosos. Só por isso - e por nenhuma outra coisa mais - judiávamos dela. Chamávamos de medusa. Desprezávamos. Briguei com ela inúmeras vezes, de graça. Pratiquei bullying. Justo eu, irmã de um garoto gordinho que sofria horrores nas mãos dos colegas da escola e do prédio, especialmente.

Nunca esqueci a Márcia*.

"Foi coisa de criança" não é argumento para justificar atitudes grosseiras e desumanas. Me pergunto onde estavam os adultos das nossas vidas para permitirem este tipo de comportamento. Não admito, não concordo, não acho graça.

Pensamento forte é dose. Deve ter sido isso. Tão forte que me levou a ela. Encontrei Márcia esta semana no mundo virtual. E voltei a ter sete anos. E tive vergonha do meu comportamento. E pedi desculpas. E implorei para ser perdoada. E fui. E comemorei.

Mas ainda não passou. Preciso encontrar Márcia pessoalmente. Dar um abraço. Chorar por tudo aquilo. Porque ela me perdoou, mas eu ainda não me perdoei.

O remorso é a única dor da alma, que nem a reflexão nem o tempo atenuam.
(Madame de Stael)

* Márcia é um nome fictício. Preferi assim.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

amor de tia

Como definir uma cena dessas?

Pois é. Hoje em dia as crianças são mais inteligentes mesmo. Já nascem de olhos abertos (deve ser por causa da enorme luz em cima da mesa de cirurgia, mas tudo bem), seguram a cabeça mais rápido, engatinham e andam com uma ligeireza sem par. Parece que os picos de desenvovimento estão mais próximos uns dos outros, e, quando estamos nos acostumando a mais uma pequena novidade, vem outra maior e melhor, que nos deixam ainda mais extasiados em acompanhar o crescimento e a aprendizagem dos nossos queridos.

Percebo, inclusive, que essa característica das crianças de hoje gera até mesmo preocupações desnecessárias nos pais, que passam a não aceitar um desenvolvimento apenas "normal" de seus bebês. Coisas da modernidade. Eu mesma fiquei preocupadíssima com o fato de Joãozinho não estar andando até 01 ano e 2 meses, porexemplo. Mas, meus Deus, era somente 01 ano e 2 meses!!! Quanta bobagem, hehehehe...

Entretanto, uma coisa é fato. Mesmo percebendo essa aceleração no desenvolvimento das crianças em geral, eu desconheço criança mais INTELIGENTE do que a linda Heleninha, prima única de João Vinicius. Coloco a palavra inteligente em caixa alta para destacar o sentido literal da palavra. Ela não é inteligente porque andou primeiro, ou engatinhou primeiro, ou falou mamãe, ou papai. Ela é assim definida porque, desde sempre, demonstrou uma capacidade incrível de perceber o mundo, de interagir com o outro e, sobretudo, de se comunicar.

Engraçado, não me lembro do tempo em que Helena, por exemplo, não falava. Com muitos poucos meses, ela já identificava o tio João pelo termo "óooooo", a mim como TiaAnha", e a todos os demais membros da família por nomes por ela particularmente escolhidos. Próximo a fazer dois anos, já foi capaz de escolher seu tema da festinha, e falava absolutamente tudo nessa mesma época. Frases inteiras, perfeitas, bem definidas, bem colocadas e bem explicadas.

Ao entrar na escolinha, já na primeira dancinha conseguiu seguir os passos da Tia, e simplesmente, arrasou, apresentando-se como se tivesse noção perfeita daquilo que se passava. Palco, espectadores ansiosos, e ela a dançarina linda de "sambalelê". Nossa, chorei horrores hehehehe.

Ao lado de amiguinhas, antigas ou novas, faz questão de dar-lhes as mãozinhas e chamar pra dançar, ou brincar. Embora tenha noção exata do que é dela, ela se sente feliz em estar com outras crianças, ensiná-las, e interagir com as mesmas. Vocês não imaginam como isso, hoje em dia, é difícil, onde o egocentrismo se inicia nos primeiros anos de vida. As crianças facilmente batem umas nas outras, empurram, ou fazem algum gesto grosseiro umas com as outras. Isso não existe com Helena.

Impossível não se encantar com sua beleza, com seu trato peculiar com as pessoas, principalmente com os priminhos "mais novos", no caso, Joãozinho. Logo após ele ter nascido, ela não hesitou em dar-lhe um lindo apelido, nunca antes utilizado por ninguém - "Vinicinhus". Como uma menininha de dois anos e alguns meses saberia fazer diminutivo? Incrível. Hoje, ela faz questão de me "ajudar" nos cuidados com o priminho, dizendo-me enfaticamente:

- "Tchia" Ana, não se preocupe, estou de olho em Joãozinho!

- "Tchia" Ana, se ele aperriar eu lhe chamo, pode deixar!

Peço a Deus que Joãozinho siga seus passos. Não apenas para ser o mais inteligente do mundo, até porque essa nunca foi a pretensão da mamãe ou do papai de Helena. Nunca vi Edu ou Vivi forçando algum aprendizado. Ela aprende porque ela quer, porque ela anseia, porque ela É assim. Quero que ele siga seus passos também para continuar sendo uma criança pura, como ela é, incrivelmente amável, como ela é, e, sobretudo, incrivelmente FELIZ.

Te amo, titia!!!!!

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A resposta de uma mãe de pernas bambas:

Minha querida,

O que falar depois de tantas palavras lindas, sensíveis e companheiras deste meu coração em lágrimas?

Lembro de quando Edu me perguntou, quando ainda estávamos grávidos: - E se Helena for dessas pessoas que de tão tímidas parecem ser meio avessas à gente, você já pensou que ela simplesmente pode ser assim e tudo bem?

Não. Eu não tinha pensado. E fiquei até com um certo medo. Porque gostaria muito que ela pudesse ser livre de qualquer timidez que impedisse o seu viver pleno e coletivo.

Pra ser inteira, primeiro a gente precisa ser de si mesma. Estar consigo mesma. Conhecer a si mesma - seus gostos, seus limites, suas necessidades. Depois, buscar a beleza das outras pessoas. E todas elas têm. E aprender com as deficiências. De si e dos outros. Pra mergulhar fundo numa palavra linda: JUNTOS. E outra: SEMPRE.

E quando eu penso que posso estar ensinando a ela algo do tipo, caio em mim pra perceber que sou eu quem está apredendo mais e mais. Há 3 anos, 10 meses e 1 dia.

Obrigada por este presente, Ana. Não há nada que valha mais nesta vida. (Agora posso deixar de te abraçar fortemente - coisa que comecei a fazer desde a primeira letra digitada deste big comentário). Um beijo. Em você. No príncipe que nos trouxe mais pra perto. E no mano véio. O Mano Capacidade (depois te conto esta história de dar substantivos ao sobrenomes dos queridos).

Vivi

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Detalhe: o blog de Ana, a minha cunhada que acaba de me nocautear com um golpe puro de amor, é uma das minhas fontes de inspiração. Foram suas palavras, dirigidas a Joãozinho, que me serviram de combustível para continuar escrevendo este blog numa época em que ele estava bem paradinho. Pode entrar lá - e não precisa bater na porta. :)

salve o teu carnaval

Acabo de receber por e-mail a sua tarefinha de casa, Lê. Apesar de estar longe da escola por causa destes dias em Maceió, pelo menos as tarefinhas de casa você tem feito.

Hoje à noite, quando a mamãe chegar ao hotel, vamos conversar um pouco sobre o Hino do Elefante de Olinda.

Os bonecos gigantes também
fazem parte do carnaval de Olinda

Ao som dos clarins de momo

O povo aclama com todo andor
O elefante exaltando as suas tradições
E também seu esplendor

Olinda, este meu canto
Foi inspirado em teu louvor
entre confetes, serpentinas, venho te oferecer
Com alegria o meu amor

Olinda, quero cantar
A ti, esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar, minha Olinda sem igual

Salve o teu carnaval!

Só você vendo, amor, como as pessoas ficam ao ouvirem este hino lindo de arrepiar até aqueles cabelinhos em cima da unha do polegar do dedo do pé. É uma homenagem grandiosa à cidade que já foi capital do nosso Pernambuco e hoje é Patrimônio da Humanidade. É linda, sim.

A vista que o Alto da Sé nos dá
(robertatobege.blogger.com.br)
Dia desses, fui fazer uma entrega de prêmio do Pernambuco Dá Sorte no Alto da Sé - onde a presença de Deus é mais sentida, especialmente no fim de tarde de uma quinta-feira. Quando o trabalho acabou, saí caminhando sozinha, acompanhada apenas de mim mesma, como há tanto tempo não acontecia.

Ali, tudo parece um poema. É um poema. Depende de quem vê. No meu caso, vi um livro inteiro de poesia. Que acabou se tranformando em imagens. Ainda bem que eu estava com a máquina.

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A página dois da sua tarefa traz sete imagens diferentes. Você vai precisar identificar com um círculo os clarins, confetes e serpentinas, coqueirais, sol, mar, coração e carnaval, todas palavras que a gente canta no Hino do Elefante de Olinda. Quero te levar lá em breve, pra ver e sentir de perto o sentido maior desta cidade. Alta.

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O Elefante de Olinda é um clube carnavalesco que foi fundado no ano em que a vovó Raquel nasceu, 1952. Assim como outro clube, Pitombeiras, todo o mundo conhece e ama. Quem não ama, não conhece.

de pai pra filha

palavraaberta.blogspot.com

Oi, filha,

O nosso blog tá super comentado, mas você sabe por quê? Porque falamos de AMOR e das coisas simples da vida. Estamos vivendo num mundo bem difícil, corrido, estressante, na busca de algo que nem nós sabemos direito o que é. Nesse mundo as pessoas não têm tempo pra quase nada, mas nós encontramos uma forma de compartilhar AMOR e todas as consequências desse sentimento, com os nossos amigos.

Essa é mais uma das coisas simples da vida que vale a pena passar adiante.

Te amo!

Seu papai.



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

par de asas

O Daqui pra Sempre saiu hoje na coluna da jornalista
Paula Imperiano, da Folha de Pernambuco.
Fiquei tão feliz, Lê. Uma felicidade composta
de alegria, orgulho (eu tenho, sim) e realização.
Vai ser bom dividir afeto com mais e mais pessoas.
Pra gente multiplicar, né? 


brinquedos e brincar

Eu nunca pude ter muitos brinquedos, Helena. Meus mesmo foram muito poucos.

A ursinha Peposa, que tinha um dedo polegar saliente que eu conseguia prender dentro da boca dela. É, ela gostava de chupar dedo. Era de pelúcia, marrom, e eu ganhei de Natal do Papai Noel. No dia 25 de dezembro de um ano distante, quando eu acordei cedinho, aquela caixona embrulhada em papel estampado estava lá, embaixo da mesa da sala do apartamento 403. Foi lá que eu deixei meu sapatinho (devia ter sido na varanda ou na janela, né?). Hoje, fico pensando em como o Papai Noel conseguiu entrar na minha casa se nela não tinha chaminé e as portas sempre estavam trancadas. Mas ele sempre dá um jeito.

A Peposa
No meu aniversário de 6 anos, ganhei a minha Moranguinho. Não lembro bem de quem, mas acho que foi de uma amiga da sua vó Raquel.  Era linda e cheirosa como nenhuma outra boneca. Naquele mesmo aniversário, ganhei também a casa da Moranguinho, algo parecido com a casa da Fifi e os Floriguinhos, que o papai te deu de presente alguns meses atrás.

A Moranguinho
A Escolinha da Moda, presente do vovô Abreu, pai do vovô Keko. Vinha com vários moldes de roupas de cima e de baixo que eu podia combinar, e também com estampas que eu podia usar de formas variadas. Passei férias inteiras brincando de ser estilista (pessoas da moda que trabalham desenhando peças de roupas).

A Escolinha da Moda
O Dr. Tratadentes, parecido com aquele brinquedo que você já tem: a cabeça de plástico de um homem com boca aberta, banguela e com vários buraquinhos no lugar dos dentes para que a gente pudesse fazer os moldes com massinha de modelar branca. Eu adorava fazer as cáries dele com massa prateada e depois obturar com o obturador que vinha junto com o homem de cabeça de plástico.

O Dr. Tratadentes
 A sua realidade é tão diferente da que a minha foi, amor. Por motivos variados, que juntam sorte e trabalho, eu e o papai conseguimos ter uma vida melhor da que seus avôs tiveram. Os brinquedos que você coleciona hoje, espalhados por seu quarto, pela sala e pela varanda da nossa casa, certamente somam muito mais do que todos os que eu tive a minha infância inteira. Fique esperta: é preciso valorizar. Porque quando a gente tem muito o perigo é achar que as coisas vêm fácil. E cada novo brinquedo é apenas mais um. Perde importância. Por isso eu sou muito chata. Muito, muito mais do que o seu papai.

Já expliquei algumas vezes que a gente não pode ter tudo na vida - nem seria interessante, pode crer. Já expliquei também que o que nos falta é alimento que nos faz perceber a importância do que já temos. Então não dá para ter todos os brinquedos do mundo. É verdadeiramente impossível - do ponto de vista racional, físico e financeiro - que você tenha mais brinquedos. Só que para uma cabecinha de 3 anos e quase 10 meses, entender isso é um pouco difícil - e eu entendo. 

- Mamãe, eu quero esse brinquedo da televisão (um lava-jato).

- Ó, mãe, compra pra mim essa Barbie (Moda e Magia).

- Eu queria tanto essa sandália da Xuxa...

São os apelos de uma coisa chamada publicidade, tão perigosa quanto atraente. É preciso colocá-la no lugar certo.

Criei uma fórmula pra te fazer entender que brinquedos a gente ganha especialmente em datas importantes. E sugeri que você esperasse até o seu aniversário para pedir algum presente. Só um, porque nunca é possível ganhar todos numa só comemoração. 

Tudo isso pra te dizer que ontem, ao sair do oculista onde Nenê se consultou aqui em Maceió, entramos numa loja de brinquedos só pra ver. Uma loja enorme, no centro da cidade, de encher mesmo os olhos de qualquer criança. Você parou em frente a uma prateleira cheia de brinquedos de plástico coloridos. Ficou hipnotizada com a Sweet Fantasy, uma espécie de penteadeira da moda, cheia de penduricalhos para as mocinhas brincarem de secar o cabelo, penteá-los e arrumá-los.

A esta altura - e com o raciocínio a funcionar numa velocidade surpreendente, você começou a contar, com os dedinhos minúsculos, como quem estivesse somando e multiplicando. E ergueu a cabecinha, toda reveladora:

- Mamãe, eu quero ganhar isto daqui quando eu fizer 62 anos.

Tá anotado! Sweet Fantasy, da Cardoso, aos 62 anos.

Pois é... há uma fila de espera de 59 brinquedos.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

daqui pra sempre

Encontrei esta imagem ao navegar hoje pela internet, amor. Fiquei encantada.
Porque traduz visualmente a ideia do Daqui pra Sempre.
Gostou?

Google Images

domingo, 19 de setembro de 2010

Por uma boca limpa

Menina danada, você não tem mesmo jeito quando o assunto é escovar os dentes... A mamãe já conversou uma dezena de vezes sobre como é importante deixar a boca limpinha e longe das cáries. Já expliquei que quem não escova os dentes vira tamanduá. Nunca vi uma criança que tenha virado tamanduá, mas o vô Keko, desde que eu tinha a sua idade, garante que muitas já viraram, então eu acredito. Você não vai querer virar um animal que só se alimenta de formigas e vive cheio de pulgas coladas ao corpo, não é?

Tamanduá mirim: você não quer ficar assim, quer?

Na última sexta-feira, assim que pisei no quarto do hotel, soube do festival de brabeza e choro que você deu na hora de lavar a boca. Já eram cinco horas da tarde e você ainda não tinha escovado os dentes. A vovó e Nenê estavam exaustas. Que horror, hein, filha?

A mamãe conversou tanto contigo, tentou te convencer de todas as formas sobre a necessidade (diária, que se repete três, pelo menos) de escovar os dentes numa boa, mas não houve outra saída. Eu tive que levar a cabo o que tinha dito logo cedo caso você mais uma vez fizesse malcriação. Escolhi um DVD seu para dar a outra criança - necessitada. João e Maria.

João e Maria são irmãos que se perdem numa floresta
e encontram uma casa feita de doces maravilhosos

Afe, você se esgoelou. De soluçar. (A esta hora, se o seu papai estiver lendo este texto, deve estar inconsolável com a minha severa obstinação). E passou uns dez minutos assim. Pedindo desculpas. Jurando que ia escovar os dentes direitinho da próxima vez. Mas a mamãe não podia voltar atrás. Pra ser doloroso só desta vez e nunca mais.

Mais tarde, menos histérica, você respirou fundo e tentou negociar:

- Mãe, criança pobre tem casa?

(E você mesma já foi respondendo.)

- Não, né? Veja, mamãe: se não tem casa, também não tem DVD. Então o que vai fazer com a história de João e Maria?

(Em busca de uma saída, rápido!)

- Eu dou pra uma creche. Pronto.

O burro amigo do Shrek não gosta de escovar os dentes.
E olha como ele ficou: banguela!

Incansável que é (ô, menina sabida, esta Helena), antes de dormir e depois de ter escovado os dentes sem reclamar, você continuou argumentando:

- Ô, mãe, se eu não escovar os dentes, eu perco um DVD. E se eu escovar, eu ganho o quê?

**************************

No final das contas, chegamos a um acordo. O DVD de João e Maria vai ficar na minha bolsa por dez dias. Se você escovar os dentes sem drama, tem ele de volta. Caso contrário, o filme vai fazer a alegria de outras crianças. Você ganhou prazo - que significa tempo - para mostrar que entendeu de uma vez por todas aquilo que a mamãe te explica desde que você tinha um ano. Sua Helena!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

quando nosso carro bateu num caminhão de lixo

- Mamãe, nosso carro murchou.

Foi a primeira coisa que você me falou logo que eu cheguei ao Pátio Maceió, o novo shopping que fica no Tabuleiro do Martins, na parte alta da cidade. E estava murcho mesmo, filha. Não sobrou nadinha da parte de trás. Pior do que o papai tinha dito por telefone.

Foi ontem de manhã, quando todos vocês resolveram conhecer o shopping novo. Eu já estava trabalhando e o papai preferiu ir dirigindo o meu carro, onde está instalada a cadeirinha de segurança, para poder ir conversando com você. Nenê ao seu lado. O vô Keko foi seguindo atrás, no carro do seu papai, junto com a vovó.

O papai achou que aquele sinal verde bem em frente ao shopping estava avisando que ele podia dobrar à esquerda. Não era. Aquela luz verde indicava, na verdade, que os motoristas podiam seguir em frente. Então veio um caminhão de lixo, no sentido correto, e PUUUMMM!  Bateu no carro da mamãe. Soube que foi um susto horrível pra todo o mundo. Pro papai, que ficou confuso com o que tinha acontecido. Pra você, pelo impacto da batida e a preocupação com Nenê, que gritava "minhas costas quebraram!". Pro vô Keko e pra vó Raquel, que não faziam ideia se vocês estavam machucados e precisaram de pernas para sair do carro e ver de perto o que tinha acontecido.

O carro murchou mesmo... e a segunda coisa que você me disse logo que cheguei pra ver vocês foi:

- Mamãe, eu vou comprar um carro pra você. Um não. Vários carros. Eu vou te dar um amarelo, um vermelho, um roxo, um verde...

Você ficou com pena da mamãe, querida.

Fisicamente, todos estavam melhores do que emocionalmente. Ninguém se machucou "de sangrar". Só bateram a cabeça por causa do impacto da colisão. Não prceisou de médico nem de remédio. A coitadinha da Nenê perdeu os óculos, que voaram. Agora, a mamãe vai ter que procurar um oculista aqui em Maceió pra ela.

O papai, que só ia deixar vocês no shopping pra poder seguir viagem pro Recife, ficou muito aperreado com tudo o que aconteceu. Hoje de manhã ligou cedinho pra saber como estávamos. E disse:

- Mô, o que aconteceu ontem me deixou tão fragilizado. E mostrou mais uma vez o quanto eu amo vocês, o quanto vocês duas são importantes na minha vida. Amo tanto que você nem imagina.

E o que é que a gente pode falar pro papai neste momento, amôre?

Que ele é um cara incrível, que nos traz toda a segurança do mundo e que não poderia ser mais afetuoso e presente. Que pode contar com a gente sempre, assim como a gente sabe que pode contar com ele. Que ele não precisa se sentir culpado pelo que aconteceu ontem porque estas coisas acontecem sem a gente planejar. E que receba, levado pelos ventos do nordeste, o nosso beijo demorado e nosso abraço apertado, neste exato segundo. De suas duas "passarinhas".



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

sobre trabalho

É só parar um pouquinho e observar a dinâmica da vida ao nosso redor. As coisas não param, não é mesmo?  Cinco minutos circulando pelas ruas da nossa cidade são suficientes.

entropesocial.blogspot.com

Veja: os ônibus estão sendo guiados por motoristas. O trabalho deles é levar as pessoas aonde elas precisam. Eles têm ajuda do cobrador, que recebe o valor das passagens e passa o troco para os usuários. Ali na esquina, os guardas cuidam de organizar o trânsito e garantir a segurança de pedestres e pilotos. Aquela senhora com uma pasta na mão e farda azul marinho descendo do coletivo meio apressada é professora da escola perto da nossa casa. O trabalho dela é ensinar as crianças a ler e a escrever. Avexada, a mulher quase esbarra no gari, que limpa cuidadosamente o chão pra deixar as calçadas sempre limpas. O gari mora num conjunto residencial num bairro um pouco distante do nosso, construído por um punhado de operários. Tijolo a tijolo, aqueles homens ergueram os sonhos de inúmeras famílias - como a do gari. Quando os prédios ainda estavam sendo levantados, os operários trabalhavam muitas, muitas horas por dia, e se alimentavam de quentinhas servidas por uma senhora que tinha um tempero irresistível. O trabalho dela era, então, preparar o almoço daquela rapaziada toda: frango guisado, arroz, feijão com jerimum e salada de alface, cebola e tomate. Para beber, suco de abacaxi ou acerola. De sobremesa, bolacha com goiabada.
meu.submarino.com.br

A maioria dos adultos trabalha, sabe, filha? Cada um tem grande importância no funcionamento da vida em sociedade. O que seria de nós se as pessoas não trabalhassem? Dá pra imaginar?

Numa ida ao supermercado, por exemplo, encontraríamos prateleiras vazias porque não haveria quem produzisse os alimentos. O local estaria coberto de pó por causa da ausência de auxiliares de limpeza. Ao voltar pra casa e ligar a televisão, nenhum canal funcionaria porque a equipe de TV estaria em casa, preferindo descansar o tempo inteiro. Se tivéssemos febre e precisássemos ir ao médico, não encontraríamos nenhum nos hospitais e continuaríamos doentes. Os brinquedos deixariam de existir porque não haveria mais operários de fábrica para montá-los.

TV fora do ar

A mamãe começou a trabalhar muito cedo, Lê. Pra ajudar o vovô e a vovô, sabe? Porque outra coisa boa do trabalho, além de deixar a gente feliz de estar contribuindo com os outros, é poder ganhar dinheiro com isso pra viver com uma coisa que a gente chama de "qualidade de vida". O meu primeiro emprego foi no Shopping Center Recife, como vendedora. Vendi sapatinhos de criança, acessórios de mulher, roupas e tênis esportivos - numas cinco lojas diferentes. Depois, trabalhei como recepcionista de uma churrascaria muito conhecida na nossa cidade - o Porcão, que nem existe mais. Daí, consegui alguns trabalhos como demonstradora em feiras e eventos. Nesta mesma época, fui fiscal de provas na escola onde eu tinha estudado - o Colégio Atual. Até que ingressei na Universidade Federal de Pernambuco para ser jornalista.

Uma das lojas onde a mamãe trabalhou: a Guess

Hoje, a sua mamãe está feliz apresentando o Pernambuco Dá Sorte e trabalhando numa campanha política em Maceió. Mas muitas águas já rolaram. Antes disso, a mamãe apresentou um programa político no Recife, o "TV Câmara", na TV Universitária. Oito anos, acredita? Foi repórter de muitas festas de São João e Carnaval pela TV Jornal e pela TV Tribuna. Apresentou um programa de culinária junina chamado "Colher de Pau" e outro de entrevistas, o "Opinião Pernambuco". Em outros tempos, espalhou entre as pessoas a notícia de um circuito sinfônico formado por jovens músicos da Orquestra Jovem do Conservatório Pernambucano de Música. E fez alguns comerciais para a TV. De plano de saúde, de loja de eletrodoméstico, de supermercado.

Você já conhece este cenário, meu bem.

É bom, Helena. E eu recomendo, filha. Um dia, você também vai poder ajudar a nossa cidade e as pessoas. Você vai poder escolher como quer fazer isso. E o único conselho que eu te dou é que você possa trabalhar fazendo o que você gosta. Pra ser mais feliz. E viver melhor.

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Com a idade que tem hoje, é normal que você ainda ache ruim a mamãe sair pra trabalhar.

- De novo, mamãe? Você trabalha muito.

Continuo trabalhando, baby, e não posso parar, por enquanto. Porque a mamãe que você ama não seria a mesma mamãe se não pudesse realizar - e se realizar - coisas através do trabalho.

Mas já trabalhei mais, amor, acredite. Era na época em que achava que nada mais podia ser tão gratificante. Mas aí veio você. E tudo mudou. Pra melhor e melhor. Mamãe já está tentando diminuir o ritmo. Porque pra sempre, só você. Você e seu papai. Você, seu papai e a gente. Viu? 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

uma pequena curiosa

Este é o seu olhar sobre as coisas ao seu redor, filha.
Pode ir em frente. Experimente.

- Homens, um sorriso aqui, ó!

(para os funcionários da TokStok
que vieram trocar o guarda-roupa)
Neste dia, o DVD do Toy Story rodou três vezes à tarde...

Rebeca estava "mais ou menos" com sono.











uma tarde de agosto

Helena, Pepeu e Mamá. Com essas carinhas de anjo... 

... eles fizeram do sofá um pula-pula de primeira! 

amor de primo

É ou não é uma fofura?

Foi ontem, durante o café da manhã em Maceió. Do nada, você deu um suspiro, olhou pra mim e, com a sinceridade típica das crianças, revelou:

- Mamãe, quero voltar pra Recife. Tô com saudade de João Vinicius. Ele é uma fofura de Deus.

A gente concorda, filha.

* Pra conhecer Joãozinho, basta acessar: www.asdescobertasdejoaozinho.blogspot.com




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

olhos castanhos

abovetheloversline.blogspot.com


Hoje cedo, antes de sair pra produtora, chamei você num canto pra conversar olho no olho. Acocorada, de frente pra você, expliquei:

- Filha, quero te falar duas coisas.

(você séria olhando pra mim firmemente)

- Primeiro: aproveita muito a piscina por mim.

(você séria olhando pra mim firmemente)

- Segundo: obedece a vovó e Nenê. Não quero malcriação, entendeu?

E você continuou séria, compenetrada, olhando nos meus olhos, como se estivesse absorvendo as recomendações maternas.

- Diga alguma coisa, Helena.

Segundos de silêncio, e você ainda a fitar meus olhos.

- Diga alguma coisa, filha.

E então:

- Mamãe, seus olhos... seus olhos são castanhos... castanhos iguais aos meus!

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Foram seis dias intermináveis, amor, mas você já está comigo em Maceió. A cidade ficou ainda mais bonita com a sua chegada. Papai e Nenê contigo. Vovô Keko e vovó Raquel também por aqui. Todos felizes e animados. Pra uma semana que promete ser incrível.

sábado, 11 de setembro de 2010

10 coisas que você detesta

1. Escovar os dentes

qwickstep.com
2. Arrumar os brinquedos

http://www.flickr.com/photos/ale/3075547664/
3. Bater papo ao telefone quando está "ocupada"

deyafaaghna.blogspot.com
4. A emergência do Santa Joana

santajoana.com.br
5. Passar mais de 30 minutos dentro de qualquer carro

kids-n-fun.com
6. Quando te chamam de bebê

teenymanolo.com
7. Purê de batata

acozinha.blogs.sapo.pt
8. Roupa justa no corpo

qvizu.com.br
9. Longas filas de espera

blog.textaurant.com
10. Ter que tirar foto quando está sem vontade

blog.textaurant.com
   

10 coisas que você adora

1. Os brinquedos do Little People
2. Conchas do mar


3. Água de coco


4. Banho quente


5. Pular na cama


6. Brincar de fotógrafa


7. O DVD Lendas Brasileiras


8. Comer no Giraffa's

9.  Tapioca


10. O álbum do Toy Story