segunda-feira, 16 de agosto de 2010

lados



Sua mamãe tá longe de ser perfeita, filha. Tenho um monte de defeitos, sabe? É porque eu sou de carne e osso. Real. E a gente sempre aprende com aquilo que nos tira do eixo. É o lado bom dos defeitos. O desafio que eles impõem a quem carrega eles.

Meu Deus, eu detesto certas coisas de adulto. A burocracia da vida adulta. As regras. Convenções. Formalidades. Resoluções o dia inteiro, todo dia. Responsabilidade. Correria. 

Ontem à tarde teve um lanchinho na casa de Dona Léia, avó de sua prima Júlia. Lanche de aniversário de Juju. Eu, você e o papai fomos os primeiros a chegar. Você logo correu para o quarto de Malu pra brincar. Sentei, então, na varanda. Nada de barulho de carro ou buzina. Um vento leve. A voz de um passarinho bem longe. O céu com poucas nuvens. O tempo se fazendo presente no compasso que eu admiro.

É preciso perguntar: aonde queremos chegar correndo tão loucamente? Atrás de quê? Alguém me disse um dia que não há caminho para a felicidade. "A felicidade é o caminho". Neste caso, é melhor ir mais devagar pra apreciar os sabores dessa emoção.

Franqueza demais pode ser defeito? Mesmo quando falado sem exaltação? Sofro disso também, bebê. Não sempre, porque tem gente que nunca entenderia a intenção da franqueza. Tem gente que nunca mereceria o meu desgaste de tentar explicar as coisas. Por isso, normalmente eu sou bem sincera com aquelas pessoas que mais amo, mas tem que ser alguém mais ou menos equilibrado pra não dar em briga. Detesto brigar.

Sofro de impaciência também. E, às vezes, de uma melancolia como esta que estou sentindo agora. Mas ainda bem que já são 23:02. E amanhã é um novo dia.

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