terça-feira, 24 de agosto de 2010

amor e limite

Você ainda é criança, querida. E tem muito a viver até que a juventude se instale. Juventude esta cada vez mais precoce (tem a ver com coisas que acontecem antes do tempo). Até lá, nós três – eu, o papai e você - certamente teremos infinitas oportunidades de estarmos mais juntos, mais próximos, mais família. De agora, você já sabe que a mamãe é uma fofa e está sempre a apoiar seus gestos e ações positivos. Já sabe também que a mamãe não é daquelas de brigar só porque o açúcar que você estava colocando dentro do leite caiu, sujando o chão da cozinha. Por outro lado, entende o que quero dizer com um olhar mais firme quando as palavras silenciam e a expressão dá o recado. E aprendeu cedinho que na vida vale fazer o bem, a si e aos outros, sem que uma coisa aniquile a outra. Senão não é bem.

Em maio de 2003, a mamãe era a namorada do papai e nós dois planejávamos com alegria o casamento. Você ainda era um sonho a virar realidade. Pouco mais de sete anos se passaram. Agora, você está com quase quatro anos e já vivemos histórias incríveis. Muito tempo se passou. Naquela época, uma tragédia (quando coisas muito ruins acontecem) comoveu um número incontável de pessoas em Pernambuco. Duas mocinhas chamadas Tarsila Gusmão e Maria Eduarda Dourado foram encontradas sem vida numa estrada que cortava uma plantação de cana-de-açúcar. Foi em Camela, um lugar perto de uma praia bonita chamada Serrambi, no Litoral Sul do nosso estado. O que se sabe, amor, é que elas passaram o fim de semana numa casa de praia super bonita e na companhia de amigos.

Muita gente fala muita coisa sobre este assunto. Uns dizem que elas se desligaram do grupo quando estavam na praia de Serrambi e resolveram passear na praia vizinha, Porto de Galinhas. Ao anoitecer, teriam pedido carona a dois motoristas de Kombi (é um carro grande, mas muito desconfortável, que parece uma van sem charme) que nunca viram antes na vida. Os motoristas, irmão um do outro, teriam então resolvido fazer maldade com as duas e por isso teriam levado as meninas para um canavial. Depois de fazer maldade, teriam atirado nelas. Eles foram encontrados, Lê, e vão ser julgados daqui a alguns dias pelo crime. Sete anos depois, a Justiça talvez seja feita.

Outras pessoas dizem que a história real é bem diferente. E o espaço para essa versão sempre foi bem pequenininho. É o medo de mexer com “gente grande”. Falam que as duas garotas gostavam de experimentar drogas e viviam ficando com muitos meninos. Conhecidos dizem que elas eram meio maluquinhas. As duas tinham 16 anos. Saber o que aconteceu e punir (fazer justiça) os culpados vai ser importante não só para a família das adolescentes, mas também para toda a sociedade.

Meu bem, eu tenho muito orgulho da relação que sua vovó construiu comigo. Eu nunca, amor, nunca precisei esconder ou mentir pra ela. Ela sempre foi uma grande mãe. E uma verdadeira amiga. Cresci sendo orientada a falar a verdade. Cresci certa do acolhimento que tinha em minha casa, junto aos meus pais. Mesmo quando eu “pisava na bola”, ainda assim eu contava a verdade. E sabia que, naquele momento, ninguém mais na vida poderia me estender melhor as mãos do que eles. E aquelas mãos sempre estavam lá, abertas, prontas a me segurar com firmeza e me acompanhar – das alegrias aos dramas. Sabe que me acho especial por ter tido pais assim? Eles foram presentes. Inteiros. Corajosos. Solidários. Até hoje são.

Nunca tenha medo de se mostrar para seus pais. Seus medos. Suas vontades. Suas dúvidas. Somos pais e amigos, querida. Estamos aqui pra isso também. Tenha certeza da oferta permanente do nosso braço aberto para te acolher no que for preciso.

Seja esperta. Seja você mesma. Ao se sentir desafiada, tenha sempre em mente o seu bem-estar. Não dê ouvidos a quem quer que te provoque. Seu corpo é um templo. Um templo sagrado. Sua vida é ouro. Cuide dela com carinho e atenção.

Saber quem são seus amigos e os pais deles, definir hora de sair e chegar, reconsiderar televisão o dia inteiro e computador com livre acesso e ligar para saber como as coisas estão. Com todo o respeito e solidariedade que posso ter à Maria Eduarda e à Tarsila e também aos papais dela, se estas coisas tivessem sido praticadas, talvez as duas estivessem hoje aqui conosco. Mas tem coisas que não têm volta. Talvez um dia.



4 comentários:

  1. Vc sempre se supera a cada texto Maninha linda!
    A Gordinha tem e sempre terá orgulho da mãmãe que vc é!!
    Te amo, viu??
    Muitoooo!
    Bjinhos,
    Lara.

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  2. Feliz da Helena que tem uma mãe tão digna e dedicada!!
    Parabéns pelo texto, Vivi!!

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  3. Viviiii! Agora virei fã incondicional dos seus blogs!
    Eu vivi esses dias de agonia também.. e uma delas era do meu colégio.. Sempre a via pelos corredores..
    Com certeza educar com sabedoria e limites é uma arte.. Nossos pais souberam fazer isso.. Graças a Deus!
    Não tenho dúvida alguma de tudo que você aprendeu, será ensinado a Helena!
    Fiquem com Deus!

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  4. Viviii...que ideia brilhante deste blog!!Tudo lindooo, com certeza inpirador para quem tem sonhos de contruir em breve uma familia, ter um baby e etcs.
    AMEI!!
    Bjãooo para esta familia iluminada por Deus.
    Mari

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