domingo, 29 de agosto de 2010

criança vira pão?

Não, filha, criança não vira pão

Faz alguns meses, filha. Você tinha acabado de fazer três anos. Pra te proteger, a mamãe ainda passava pomada depois do banho e explicava:

- Tem que botar pomada pra não ficar assada, filha.

Você adora pão. O francês também, mas o de hot dog muito mais. Às vezes, pede pra comer “cru”, mas quase sempre o come assado no fogo.

Um dia, enquanto eu te enxugava depois de um bom banho, você comentou comigo:

- Mamãe, tem que passar pomada pra não virar pão, né?

o jeito Helena de ser

Hoje de manhã, a caminho da TV Tribuna para a apresentação do Pernambuco Dá Sorte. Eu e Helena apenas:

- Mamãe, teu trabalho é muito longe.

- É filha, mas já, já a gente chega.

- Mas mamãe, é tão longe que tô com medo do nosso carro “pufar”.

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O tempo estava tão bom – e a cidade, tão calma - que fomos com os vidros abertos. Mais à frente, passamos numa esquina onde uma mulher preparava galetos. O cheiro invadiu a gente.

- Ih, mamãe, que cheiro bom. Foi aquela fumaça gostosinha lá atrás.

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Perto de chegar, depois de cinco minutos de silêncio contemplativo, a boneca solta mais uma:

- Mamãe, quando eu for grande eu vou trabalhar. E vou te levar pro meu trabalho. Mas você vai ter que fazer silêncio, viu?

sábado, 28 de agosto de 2010

Capiba

O Mestre
Você já conhece a arte de Romero Brito. Inspirada nele, produziu na escola um porta treco todo colorido, decorado com uma borboleta que ganhou vida a partir de suas mãos. Conheceu a escrita de Ana Maria Machado. Durante uma semana, descortinou junto com a turminha da Vila a obra dela, especialmente Menina bonita do laço de fita. História sobre uma negrinha linda que encanta um coelhinho branco por sua cor de chocolate. Visitou a Oficina Cerâmica Francisco Brennand depois de uma série de vivências que colocaram você no universo de um dos artistas brasileiros mais reconhecidos em todo o mundo. Semana passada, aprendeu sobre o nosso estado, Pernambuco. Foi apresentada à nossa bandeira. Entendeu o significado de cada símbolo inscrito nela. Chegou em casa cantando "salve, ó terra, dos altos coqueiros/de beleza, soberbo estendal/nova Roma de bravos guerreiros/Pernambuco imortal, imortal". Agora, vai mergulhar na história de um músico e compositor pernambucano - ele escrevia músicas fantásticas, filha - de sensibilidade e paixão extrema por nossa terra. O nome dele é Lourenço da Fonseca Barbosa, mas todo o mundo o chama de Capiba. Querida, todo o mundo reverencia a obra dele. A gente faz isso quando alguém é rei em alguma coisa. E ele é o Rei do Frevo.


Obra de Mônica Fuchshuber

Capiba morreu no ano em que a mamãe começava a estudar para ser jornalista. Tinha 93 anos, os cabelos bem branquinhos e usava um óculos grosso que a gente chama de fundo de garrafa. Tinha cara de vovô bonzinho, sabe? Pois ele nos deixou de herença mais de 400 músicas, entre elas De chapéu-de-sol aberto. Música linda que vamos ouvir e cantar juntas muitas vezes nesta vida:


De chapéu de sol aberto
Pelas ruas eu vou
A multidão me acompanha, eu vou
Eu vou e venho pra onde não sei
Só sei que carrego alegria
Pra dar e vender
(deixa o barco correr)
Espero um ano inteiro
Até ver chegar fevereiro
Pra ouvir o clarim clarinar
E a alegria chegar
Essa alegria que em mim
Parece que não terá fim
Mas, se um dia o frevo acabar
Juro que eu vou chorar.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

o tempo das coisas

O playground do Papa Capim das Graças


Foi Along . DEPOIS DE Uma linda tarde no Parque da Jaqueira , Fomos comer tapioca Uma não Papa Capim da Ponte D' Uchôa . Estava Quase Vazio playground EO Foi todo de Helena, carregou Que xícaras , pratos , talheres e legumes de plástico n º Dentro da casinha .

- É o restaurante de Helena, senhorita . O quê vai comer ?

- Uma macarronada , por favor.

- E VOCÊ , Nenê senhorita ?

- Um Sanduíche !

Mas o tempo Foi passando , passando eA Hora de ir pra casa Chegou .

- Lê, Hora de ir . Vamos .

- Ô , mamãe , hum tão Mais pouquinho , vai ...

- Tá bom , Mas tão Mais dez minutos .

- Ah , não, mamãe ! Eu Quero Ficar Aqui 65 horas !

9h Pelo Prazo Seu , tão iríamos Sair de lá como fazem Próximo Sábado , DEPOIS de Amanhã ! Muito Não é, Não , filha ? :)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

é cada tirada...


Sorrir faz um bem danado

Sopa de feijão preto. Tem que ser preto. Senão não serve. Com macarrão. Bem temperadinha. Você adora.

Esta semana, na hora do jantar, depois de mais da metade do prato:

- Mamãe, não quero mais essa sopa.

- Vai tomar, filha. Ainda falta muito.

E você:

- Ô, mamãe, eu vou ficar preta de tanta sopa!

amor tem tamanho?

Você só gosta delas no mingau,
"por causa dos pontinhos pretos"

O papai:

- Filha, eu te amo do tamanho do mundo.

A mamãe:

- Eu te amo do tamanho do oceano, amor.

Helena:

- Eu amo vocês do tamanho de uma banana.

É, amôre, eu não sabia que você achava uma banana tão grande assim. Risos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

amor e limite

Você ainda é criança, querida. E tem muito a viver até que a juventude se instale. Juventude esta cada vez mais precoce (tem a ver com coisas que acontecem antes do tempo). Até lá, nós três – eu, o papai e você - certamente teremos infinitas oportunidades de estarmos mais juntos, mais próximos, mais família. De agora, você já sabe que a mamãe é uma fofa e está sempre a apoiar seus gestos e ações positivos. Já sabe também que a mamãe não é daquelas de brigar só porque o açúcar que você estava colocando dentro do leite caiu, sujando o chão da cozinha. Por outro lado, entende o que quero dizer com um olhar mais firme quando as palavras silenciam e a expressão dá o recado. E aprendeu cedinho que na vida vale fazer o bem, a si e aos outros, sem que uma coisa aniquile a outra. Senão não é bem.

Em maio de 2003, a mamãe era a namorada do papai e nós dois planejávamos com alegria o casamento. Você ainda era um sonho a virar realidade. Pouco mais de sete anos se passaram. Agora, você está com quase quatro anos e já vivemos histórias incríveis. Muito tempo se passou. Naquela época, uma tragédia (quando coisas muito ruins acontecem) comoveu um número incontável de pessoas em Pernambuco. Duas mocinhas chamadas Tarsila Gusmão e Maria Eduarda Dourado foram encontradas sem vida numa estrada que cortava uma plantação de cana-de-açúcar. Foi em Camela, um lugar perto de uma praia bonita chamada Serrambi, no Litoral Sul do nosso estado. O que se sabe, amor, é que elas passaram o fim de semana numa casa de praia super bonita e na companhia de amigos.

Muita gente fala muita coisa sobre este assunto. Uns dizem que elas se desligaram do grupo quando estavam na praia de Serrambi e resolveram passear na praia vizinha, Porto de Galinhas. Ao anoitecer, teriam pedido carona a dois motoristas de Kombi (é um carro grande, mas muito desconfortável, que parece uma van sem charme) que nunca viram antes na vida. Os motoristas, irmão um do outro, teriam então resolvido fazer maldade com as duas e por isso teriam levado as meninas para um canavial. Depois de fazer maldade, teriam atirado nelas. Eles foram encontrados, Lê, e vão ser julgados daqui a alguns dias pelo crime. Sete anos depois, a Justiça talvez seja feita.

Outras pessoas dizem que a história real é bem diferente. E o espaço para essa versão sempre foi bem pequenininho. É o medo de mexer com “gente grande”. Falam que as duas garotas gostavam de experimentar drogas e viviam ficando com muitos meninos. Conhecidos dizem que elas eram meio maluquinhas. As duas tinham 16 anos. Saber o que aconteceu e punir (fazer justiça) os culpados vai ser importante não só para a família das adolescentes, mas também para toda a sociedade.

Meu bem, eu tenho muito orgulho da relação que sua vovó construiu comigo. Eu nunca, amor, nunca precisei esconder ou mentir pra ela. Ela sempre foi uma grande mãe. E uma verdadeira amiga. Cresci sendo orientada a falar a verdade. Cresci certa do acolhimento que tinha em minha casa, junto aos meus pais. Mesmo quando eu “pisava na bola”, ainda assim eu contava a verdade. E sabia que, naquele momento, ninguém mais na vida poderia me estender melhor as mãos do que eles. E aquelas mãos sempre estavam lá, abertas, prontas a me segurar com firmeza e me acompanhar – das alegrias aos dramas. Sabe que me acho especial por ter tido pais assim? Eles foram presentes. Inteiros. Corajosos. Solidários. Até hoje são.

Nunca tenha medo de se mostrar para seus pais. Seus medos. Suas vontades. Suas dúvidas. Somos pais e amigos, querida. Estamos aqui pra isso também. Tenha certeza da oferta permanente do nosso braço aberto para te acolher no que for preciso.

Seja esperta. Seja você mesma. Ao se sentir desafiada, tenha sempre em mente o seu bem-estar. Não dê ouvidos a quem quer que te provoque. Seu corpo é um templo. Um templo sagrado. Sua vida é ouro. Cuide dela com carinho e atenção.

Saber quem são seus amigos e os pais deles, definir hora de sair e chegar, reconsiderar televisão o dia inteiro e computador com livre acesso e ligar para saber como as coisas estão. Com todo o respeito e solidariedade que posso ter à Maria Eduarda e à Tarsila e também aos papais dela, se estas coisas tivessem sido praticadas, talvez as duas estivessem hoje aqui conosco. Mas tem coisas que não têm volta. Talvez um dia.



sábado, 21 de agosto de 2010

o que vale na vida

Vivemos uma tarde linda ontem. Comemoração de mais um aniversário de Juju. 13 anos. Ela e mais seis amigas lá em casa para um almoço gostoso feito com carinho pelo tio Lúcio. Tia Rosana estava por lá, cuidando de viver a alegria da filha e organizar as coisas com a ajuda de Nenê. Foi dia de faxina. Nicole deve ter ficado bem aperreada com toda aquela garotada, coitada. Mas entendeu muito bem quando eu disse que aquela festinha era também para cada adolescente que já fomos um dia e guardamos dentro da gente.

Conjugue sempre este verbo, querida: unir

Achei que o papai só fosse chegar de Maceió no final da tarde. Mas que surpresa abrir a porta do nosso lar e encontrar, além daquela turma linda almoçando, o nosso rei sentado junto da janela, olhando pra mim com cara de arteiro. Ele tinha falado comigo ao telefone cinco minutos antes dizendo que me ligaria em breve pra passar o número do voo. Danado.

Você estava tão feliz. Correu, toda mignon, de calcinha amarela e fivelinha no cabelo, em minha direção. O seu sorriso de sol chegou antes dos seus braços. Existe coisa melhor? Fluidos de alegria cobrindo a casa?

Juventude. Frescor. Vida. O importante. O fundamental. Vozes. Risadas. Unidade.

O pano de fundo da festa? "Superfantástico", do Balão Mágico, que você queria muito mostrar para as meninas. Fofas e delicadas, elas acharam uma graça.


A Turma do Balão Mágico
foi também "do meu tempo", amor

Juntas, vocês colaram as figurinhas novas no álbum do Toy Story. Mais adiante, enquanto elas tomavam banho, a gente organizou todas as minhas maquiagens no balcão do meu banheiro para elas se produzirem para ir ao cinema. Curiosa, você tocou o pó compacto e levou o dedinho à boca. Fez um careta e deu uma risadinha.

- Helena, você vai querer que cor de batom?, perguntou uma das garotas.

E você:

- Eu não posso, meninas. Eu sou criança.

Um coro de "AAAiii, que fofa" chegou até o seu quarto, onde eu estava conversando com a tia Rosana. Demos um sorriso.


Maquiagem não é mesmo
para criança, meu bem

Eram quase 16h30 quando eu chamei o táxi para levar a turma para o cinema, pois é claro que não ia caber tanta gente só no carro com tia Rosana. E adivinha a que filme elas iam assistir?

Meu malvado favorito.

- Não acredito, meninas, eu já vi! Mamãe, eu quero ir de novo.

E foi, toda cúmplice, toda feliz, toda Helena.


"Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós" (Clarice Lispector)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

audição e olfato

Ontem eu descobri que você adora o cheiro da gasolina, sua pirrôta. E você falou de um jeito tão natural e inesperado que acabei dando a gargalhada que me valeu o dia. Foi num posto de combustível pertinho da nossa casa.

Claro que você não se contentou em esperar muito quieta pelo abastecimento. Quis sair pra ver como o carro é abastecido. Esticou tanto a cabeça pra ver melhor a gasolina jorrando que o frentista alertou uma vez:

- Cuidado. O cheiro é muito forte.

O compartimento da frente do veículo, ali juntinho do motor, também estava vazio. Acompanhamos o moço. Ali, ele foi colocando devagarzinho para não esborrar. E você, quase se desvencilhando dos meus braços e se esticando pra ver mais de perto.

- Cuidado. O cheiro é muito forte.

Contrariando o alerta, você respirou profundamente, enchendo o pulmãozinho de ar. E revelou:

- Eu adorei esse cheiro, mamãe.

O perfume das coisas tem um poder danado, Lê. Eu mesma tenho um creme pra passar nos pés com aroma de castanha. É um cheiro igualzinho ao que eu já senti um dia, muitos, muitos, muitos anos atrás. Não sei exatamente quando e como. Mas traz uma sensação de bem-estar tão gostosa. Nunca consegui enjoar desse cheiro.


O hidratante mágico

Gofo de bebês. Também adoro. Nenhuma mamãe de nenhum bebê que gofar em mim precisa pedir desculpas. Aquele azedinho me remete a você recém-nascida, no meu colo, esperando pra arrotar depois de uma bela mamada. Às vezes, vinha só arroto. Outras, aquela gofada que só eu achava um poema.

Música também desperta na gente o mesmo sentimento. Dia desses eu estava ouvindo Cama e Mesa, de Roberto Carlos, que a gente costuma dizer que é o "Rei" da música romântica brasileira.

Eu quero ser seu travesseiro/ E ter a noite inteira/ Pra te beijar durante o tempo que você dormir/ Eu quero ser o sol que entra no seu quarto adentro/ Te acordar devagarinho/ Te fazer sorrir...


Meu Deus, Helena, ouvir essa música é voltar no tempo em que eu tinha no máximo cinco anos. Vejo uma grande "loja de discos", com pé direito (altura) alto, numa esquina que me parece ser a de alguma rua do Centro do Recife.  Vovô e vovó estão lá também. A loja é cor de rosa e tem capas de "LP's" espalhadas pelas paredes. Na "radiola", toca Cama e Mesa. Parece um sábado pela manhã.


A capa do "disco" do Roberto Carlos
 que o vovô e a vovó compraram naquele dia

Chuva de Prata, de Gal Costa.


Ouça a chuva mais vezes, amor. Dê voz a ela.

Chuva de prata que cai sem parar/ Quase me mata de tanto esperar/ Um beijo molhado de luz sela o nosso amor./ Toda vez que o amor disser 'vem comigo'/ Vai sem medo de se arrepender/ Você deve acreditar no que eu digo/ Pode ir fundo / Isso é que é viver...

Agora estou em Natal, no Rio Grande do Norte. Estou na porta da casa de Tia Preta, tia da tia Karol, olhando a chuva que cai fina sobre o jardim. Sinto gosto de farinha láctea na boca. É um domingo de manhã e todos devem estar dormindo. Menos eu. O momento é de paz.

Memórias. Passagens. Sentimentos. O nome disso é história. 

terça-feira, 17 de agosto de 2010

do lado de dentro

Amor que corre na veia

Meu sono foi interrompido por você esta noite, querida. De olhinhos fechados e ainda enebriada, falou baixinho:

- Mamãe, eu não quero ir todo dia pra escola.

- Ó, mamãe, eu quero acordar e tomar café da manhã com você.

Que golpe, pequena. Há seis meses que isso não acontece. Continua sendo o meu calcanhar de aquiles (o ponto fraco da mamãe). Você nem imagina a dor que é sair cedo de casa rumo ao trabalho sem poder olhar nos teus olhos e te desejar bom dia. Sem poder te aninhar em meus braços pra te dar o gagau. Sinto falta de escovar os teus cabelos, escolher a fivelinha, insistir pra que escove os dentes, sair correndo atrás de você para colocar a fardinha da Vila. Dói em nós duas. E nem eu nem você ainda nos acostumamos.

O fato, meu bem, é que sua mamãe gosta de trabalhar. E se sente feliz podendo ser útil às pessoas. O grande desafio é o desejado ponto de equilíbrio, que sua mãezinha ainda continua buscando. Às vezes, e atualmente com uma certa freqüência, tenho vontade de jogar tudo pro alto pra poder te levar de novo à escola, conversar com suas professoras e sentir o dia começar do jeito que já foi um dia. E ainda vai ser. Logo. Logo. Em breve. A mamãe tá batalhando pra isso.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

lados



Sua mamãe tá longe de ser perfeita, filha. Tenho um monte de defeitos, sabe? É porque eu sou de carne e osso. Real. E a gente sempre aprende com aquilo que nos tira do eixo. É o lado bom dos defeitos. O desafio que eles impõem a quem carrega eles.

Meu Deus, eu detesto certas coisas de adulto. A burocracia da vida adulta. As regras. Convenções. Formalidades. Resoluções o dia inteiro, todo dia. Responsabilidade. Correria. 

Ontem à tarde teve um lanchinho na casa de Dona Léia, avó de sua prima Júlia. Lanche de aniversário de Juju. Eu, você e o papai fomos os primeiros a chegar. Você logo correu para o quarto de Malu pra brincar. Sentei, então, na varanda. Nada de barulho de carro ou buzina. Um vento leve. A voz de um passarinho bem longe. O céu com poucas nuvens. O tempo se fazendo presente no compasso que eu admiro.

É preciso perguntar: aonde queremos chegar correndo tão loucamente? Atrás de quê? Alguém me disse um dia que não há caminho para a felicidade. "A felicidade é o caminho". Neste caso, é melhor ir mais devagar pra apreciar os sabores dessa emoção.

Franqueza demais pode ser defeito? Mesmo quando falado sem exaltação? Sofro disso também, bebê. Não sempre, porque tem gente que nunca entenderia a intenção da franqueza. Tem gente que nunca mereceria o meu desgaste de tentar explicar as coisas. Por isso, normalmente eu sou bem sincera com aquelas pessoas que mais amo, mas tem que ser alguém mais ou menos equilibrado pra não dar em briga. Detesto brigar.

Sofro de impaciência também. E, às vezes, de uma melancolia como esta que estou sentindo agora. Mas ainda bem que já são 23:02. E amanhã é um novo dia.

sábado, 14 de agosto de 2010

curtinhas

Também não gosto, filha

Ontem, depois de ganhar da vovó Raquel um marshmellow com formato da Hello Kitty.

- Mamãe, é um docinho meio ruinzinho.

- Me dá uma mordidinha, filha.

- Não quer uma mordidona, mamãe?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

meu malvado favorito

Olha o Gru aí

O nome dele é Gru. Careca, quase sem pescoço, pernas fininhas, nariz comprido e pontudo, roupas sempre pretas. É um homem à primeira vista bem malvado. Não gosta de crianças, não respeita as pessoas, não ganha dinheiro trabalhando, mas roubando as coisas mais malucas. A última esquisitice que Gru põe na cabeça é o roubo da Lua. Junto com seu exército de amarelinhos, ele monta um super esquema para conseguir realizar o plano. O problema é que Gru dá de cara com Vector, um jovenzinho com cara de bobão - mas muito esperto - e com os mesmos planos que ele.



Vector é o verdadeiro vilão da história


Vector adora os biscoitos vendidos por um trio de meninas muito fofas de um orfanato dirigido por uma senhora que mais parece uma bruxa de tão ruim. Pra entrar na casa de Vector e conseguir o super redutor de objetos que lá está, Gru acaba adotando as menininhas Agnes, Edith e Margô. Com o equipamento maluco, Gru pretende encolher a Lua e vendê-la ao maior banqueiro – e pilantra – da cidade.


Margô, Agnes e Edith
Gru só não esperava aprender a amar. Justo ele, que teve uma mãe fria e insensível, incapaz de lhe dar um pouco de carinho. As super fofas transformam a casa de Gru. Levam alegria, bagunça, cor. Sentimento. O coração do vilão vai sendo preenchido por afeto e ele começa a mudar sem nem perceber. No final, Gru entende que o que mais vale na vida não tem nada a ver com dinheiro ou conquistas. Mas com algo muito mais simples. E a vida ganha outra dimensão.


O filme é uma lição de afeto
Você adorou o filme, minha filha. Fomos só nós duas, bem no meio da semana, porque o papai está viajando, numa reunião de trabalho em São Paulo. O cinema estava quase vazio. Antes, a gente passou na lojinha de guloseimas. Você logo correu para pegar as moedas de chocolate parecidas com as de verdade por causa da embalagem dourada. Eu preferi as jujubas com aquele açúcar azedinho. Um pacotão de pipoca completou nossa alegria. Foi uma sessão em 3-D, que ainda é novidade atualmente. Eu adoro, mas você sempre prefere ficar sem os óculos porque eles são muito grandes. Tudo bem. Não tem problema.

Mas deixa eu te contar a melhor parte do filme, Lê.

Sabe qual foi?

Foi quando você pediu para ir pro meu colo, tirou a sapatilha e se enroscou entre os meus braços, quase como um emboá – aquelas minhoquinhas marrom que aparecem sempre que chove e se encolhem quando são tocadas e se sentem ameaçadas. O tempo passou que eu nem senti.

- Mamãe, já acabou.

- O quê, filha?

- O filme, mãe. Pode me soltar.

Eu já te disse que ser sua mãe é bom demais, sua cabrita? É bom DEMAIS.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

deduções da Lelêca

Helena adora "Barbie: Vida de Sereia". A grande estrela da história é Merliah, a garota que pratica surf e quer ser a melhor surfista do campeonato de Malibu, nos Estados Unidos. Merliah, surfista.


A capa do DVD da Barbie

 Fazia tempo que a pequena não tocava no DVD do Barney. Dia desses, cascavilhando a gaveta, encontrou "Barney: Festa na Praia". E lá está o dinossauro roxo na capa, em cima de uma prancha de surf, com a maior cara de amigo das crianças.

Lelê deu um suspiro de surpresa, arregalou os olhos e levantou as sobrancelhas . E então, ela se virou pra mim:

- Mamãe, não acredito! O Barney é um "surfisto"! 


Olha ele aí, o "surfisto".

Viviane Rolemberg é mãe encantada de Helena, de 3 anos e 8 meses.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Patati Patatá

Era uma vez uma menininha que adorava uma dupla de palhaços coloridos com nome bem engraçadinho: Patati e Patatá. Ela ainda era uma bebezinha quando viu os dois na televisão, cantando e dançando. Num belo dia, quase três anos depois, a mamãe dessa garotinha linda, que trabalhava numa rádio chamada Clube, soube que ia receber a visita dos dois palhacinhos para uma entrevista muito legal.


Foto: Viviane Rolemberg

E adivinha quem apareceu no trabalho da mamãe no dia do super encontro com o Patati e o Patatá? A menininha. O nome dela era Helena. Nossa, ela estava toda feliz com seu vestidinho lilás e seus cabelinhos cacheados caindo sobre os ombros. O vovô Keko e Nenê também estiveram por lá. Todo o mundo ficou bem impressionado com o tamanho do Patati e do Patatá. Eram bem altos. E o sapato, bem grandão. Eles foram uns fofos. Conversaram, cantaram e tiraram muitas fotos. Pra garotinha nunca mais esquecer.

Foto: Viviane Rolemberg

Se você quer sorrir, é com Patati
Se você quer brincar, é com Patatá
Se você quer sorrir e brincar, Patati Patatá!
Se você quer sorrir e brincar, Patati Patatá!


Trazendo alegira, pra cada coração
Com muita energia, e muita emoção
Sempre na escola com os amigos a brincar
Quero ver você assim cantar!

Se você quer sorrir e brincar Patati Patatá!

domingo, 8 de agosto de 2010

vá subestimar...

Tenho poucos amigos. Poucos mesmo. Mas os que eu amo, meu Deus. Eu amo demais. Cata é uma dessas pessoas. Hoje foi o aniversário dela. Saindo da casa nova de Beto, em Piedade, liguei pra combinar de passar na sua casa e deixar o presente. Antes de desligar o telefone, me despedi como sempre:

- Tá bom, amore mio. Chego já aí.

Helena se ofendeu.

- Mamãe, tia Cata não é seu amore mio. Ela é a sua amiga. O seu amore mio é o seu marido, viu?

Pense!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

brinquedos e brincadeiras


A casinha é um dos brinquedos mais lindos que Lelê tem.


Pra ficar na memória.
As miniaturas de uma turma que conquistou gerações.
Criatividade: a arma para horas de diversão

terça-feira, 3 de agosto de 2010

fim de férias

Faltam dois dias para a volta as aulas, filha. Depois de cinco semanas de longas férias. Logo que elas começaram, fiquei sem saber como eu e o papai conseguiríamos proporcionar momentos legais pra você porque a gente ia continuar trabalhando. Eu queria tanto ter tirado férias contigo. Pra gente poder se divertir por mais tempo. A gente fez o que pôde.

Posso dizer que seus dias foram marcados especialmente pela presença de muitos queridos.

Clarinha. Você conheceu esta fofa quando a gente morava no Edf. Maria Carolina, a sua segunda casinha depois da barriga da mamãe. Ela também nasceu em novembro. São poucos dias de diferença entre vocês duas. Você adora ela, filha. Eu também.

Um dia nestas férias ela foi passar uma tarde lá em casa. E quem disse que você deixou sua amiga ir embora (risos)? Você pediu tanto à tia Nice que ela acabou deixando Clarinha dormir lá com a gente. E mais um. E mais um. Três dias lindos, de muita amizade e brincadeira. Neste período, a sala, meu Deus, pareceu mesmo um grande salão de brinquedos. Bagunça total. E daí, né? Todo o mundo estava feliz. E é isso o que importa, você sabe.

Luana, sua prima. A gente se encontrou com ela no aniversário de dois anos de Felipinho na casa da tia Renata e da vovó Onilda. Queremos bem a esta sapequinha há muito tempo. Os dois anos de diferença entre vocês duas nunca atrapalharam. Convidei Luana pra dormir na nossa casa. Você ficou louca de alegria. A Tia Luciana deixou e o que era para ser um dia virou seis (risos).


Julho também foi mês de cinema. Toy Story 3! Você amou a história do Woody, da Jessie e do Buzz Lightyear. Porque fala de uma época linda e mostra como é bom ser criança, mesmo quando a idade vai passando. Um filme sobre brinquedos, brincadeiras e setimentos. No fundo, todo o mundo é um pouco Andy.



A experiência com Shrek Para Sempre em 3D também foi incrível. Não só pela sensação de ter o filme a um palmo da gente, mas por causa das lições que a história traz. O papai se emocionou. A gente sempre brincou dizendo que ele é o nosso Shrek. Eu, a Fiona. E você é a Felícia, a bebê ogro mais fofa do mundo.

Numa tarde, consegui sair cedo do trabalho. Encontrei você brincando no "L" com Nenê e todas as outras crianças do prédio.

- Mamãe querida, deixa eu entrar na piscina, vai...

Se tivesse lembrança, você saberia que aquela foi a sua melhor tarde. Primeiro, ficou ali, levantando a bermudinha e andando na parte rasa, com a maior cara de arteira. Depois, foi se agachando, se agachando, atér sentir a água geada da piscina tocar o seu bumbum. Então, ouvi o grito mais feliz destas férias. Melhor do que tomar um banho de piscina inesperado com roupa e tudo foi ver você tomando esse banho. Sua alegria cintilou naquelas águas.

Ainda teve a casa da vovó Raquel, as brincadeiras com os primos na casa da tia Rosana, as visitas à vovó Onilda, as tardes na casa de João Augusto, Malu e Mamá e nossos momentos a sós. Dias mais valiosos do que todas as pedras preciosas existentes na Terra.

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe"
(Oscar Wilde)