segunda-feira, 5 de julho de 2010

perder e ganhar


Ganhar é bom demais, Lê, e você vai sentir isso na pele ao logo desta vida. As conquistas, em especial aquelas fruto de nossa própria dedicação, são incrivelmente prazerosas. Lembro bem de quando passei no vestibular para estudar jornalismo, minha filha. Como foi bom ver o meu nome ali na lista dos aprovados. Depois de anos de estudo, eu conseguia, então, realizar um grande sonho. Anos depois, fiquei toda animada com um concurso que um canal de TV a cabo estava promovendo para escolher sua próxima apresentadora. Fiz a inscrição, elaborei um vídeo e enviei para a emissora. Não deu certo. Neste caso, fiquei desapontada e até triste por alguns dias, mas depois sacudi a poeira e segui em frente. Então é isso: às vezes a gente ganha, mas muitas vezes a gente também perde.

Não foi a vez do Brasil na Copa do Mundo da África do Sul. Perdemos as quartas-de-final para a Holanda por 2x1 e ficamos verdadeiros bagaços. O brasileiro, filha, tem uma paixão tão avassaladora (que significa intensa, profunda) pelo futebol que o país inteiro se enterrou num sentimento de amargura e decepção ruins de sentir. Coisas da vida. Sua avó Raquel sempre me ensinou que se a gente ganhasse o tempo todo - em qualquer situação - significaria alguém também perdendo o tempo todo. Não é uma matemática muito justa, não é mesmo? Além do mais, quem disse que a gente só ganha quando ganha? Perder traz lições fundamentais. Ensina a gente a ser mais humilde, mostra em quê podemos melhorar um pouco mais e faz com que valorizemos nossas vitórias.

Sabe, Helena, relativizar (significa pôr na balança, "ver o outro lado") o que se considera "perda" pode ser pra você um exercício sempre interessante, assim como é pra mim. Por exemplo: quando o Pernambuco Dá Sorte foi suspenso pouco depois do seu nascimento, fiquei sem a minha principal renda. Foi uma aventura a readaptação financeira. Perdi dinheiro. Por outro lado, passava todas as tardes ao seu lado, do acordar ao adormecer, sem qualquer compromisso com entregas de prêmio ou gravação de programa. Ganhei uma preciosidade chamada tempo. E sabe que lembro daquela época com uma ponta de saudade? Treinar o seu olhar para estar voltado às coisas boas que te chegam é superinteressante, Lê. Tem um bocado de gente por aí que vive de olho no que falta. Nunca as coisas são suficientes. Isso é terrível. Torna a vida mais amarga do que café sem açúcar.

Geralmente temos à disposição uma segunda chance. Se for o caso, corra atrás dela. Encare com coragem os desafios. Vibre com suas conquistas e divida este sentimento com os que te cercam. Aceite seus períodos de tristeza e dor. Todo o mundo passa por isso. 2014 vem aí. E sabe onde vai ser a Copa daqui a quatro anos? No nosso Brasil. Prepare o coração, amor. Aos sete anos (sabia que "7" é o meu número da sorte?), você pode sentir pela primeira vez a emoção de ver nossos atletas levantarem a taça mais dourada e reluzente do mundo esportivo.


Porque somos brasileiros, e não desistimos nunca

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