quinta-feira, 24 de junho de 2010

vermelho e azul


Terceiro São João. Um passeio pelas tradições de todas as regiões brasileiras. No comunicado grampeado na sua agenda escolar, o aviso: confeccionar saia comprida de chita, com fundo vermelho ou azul e camisa branca com babado. A apresentação da sua turminha seria uma homenagem aos festejos juninos do norte do país. Fiquei tão curiosa.

Uma semana depois, você deu uma dica:

- Mamãe, sabia que eu conheço o Boi Caprichoso e o Boi Garantido?

E o seu pai, com uma pitada de desafio, perguntou:

- E a senhorita sabe onde eles moram, por acaso?

- Na "Amazônica", papai!

Linda. Linda, sapeca e tão esperta.

Sua roupa, que fizemos na mesma costureira de todas as outras amigas, ficou uma graça. A tia Carla, mãe da Mamá, deixou numa sacola embaixo do nosso prédio. A blusa ficou meio pequena, a saia, bastante grande. Mas a costureira corrigiu tudo rapidinho.

-Ô, mamãe, essa roupa "pica".

- "Pica", mas você vai ter que se acostumar, filha. Chita é assim mesmo. Paciência.

No dia da festinha, você estava linda! Tiramos tantas fotos. Dia desses, a tia Baioca riu de mim porque viu nas fotografias que eu fiz uma pinta do lado esquerdo do teu queixo.

- Viviane, quem tem pinta no queixo são as bruxinhas. A pinta das matutas é em cima da boca, num cantinho, menina!

Lelê, nenhuma narrativa vai refletir exatamente o show que você deu no palco, cantando e dançando com seus amigos e amigas. Um lenço vermelho preso no dedinho de uma mão. O azul, no dedinho da outra.

Quase todo o mundo estava lá. Eu, seu papai, a vovó Raquel, Nenê, tia Rosana, tio Beto, tia Ana e João Vinícius, de matuto. O vovô Keko, pouco afeito a essas festas, não foi, mas ficou todo bobo quando a vovó contou como foi. A tia Lalau estava no trabalho, mas queria muito ter ido. Vovó Onilda não foi porque sempre fica com "dor de barriga" quando se imagina num lugar assim tão cheio de gente. E a tia Renata e o tio Renilson estavam na faculdade.

Fomos os últimos a ir embora, sabia? Depois das apresentações, você voltou ao palco - e não quis mais descer dele. Little star.

"Porque o que se leva dessa vida, coração, é o amor que a gente tem pra dar/Oi, tum, tum, bate coração, oi, tum, coração pode bater/Oi, tum, tum, tum, bate coração, oi, tum, que eu morro de amor com muito prazer" (Elba Ramalho)

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