segunda-feira, 21 de setembro de 2009

despertador


É assim todo dia. Dá 6:30 e eu sinto um pitôco puxando o dedão do meu pé. Então, ela vai se chegando, se chegando e se joga entre mim e Edu. Se agarra com o pescoço da gente. Enfia o rosto no nosso cangote. Entrelaça a própria perna na perna de um de nós como uma cobra inquieta. Semana passada, como sempre, foi assim também. Preguiça gostosa de sentir. Desejo danado de que fosse uma hora a menos para que pudéssemos estender por mais tempo todo aquele puxa-encolhe.

Ela estava mais grudada no pai naquela manhã. Os dois são a corda e a caneca. Se embrulham embaixo do lençol, se retorcem que nem um caracol e dão início às manhãs a uma velocidade de 10 km/h. Naquela manhã, até eu estava meio devagarinho. Ainda entre o dormir e o acordar, mas com os ouvidos a postos para testemunhar a declaração de amor gratuita sussurrada no pé do ouvido do pai por nossa Lelê. As mãos miúdas na bochecha dele:

- Papai, eu te amo desde pequenininha.

Ele acordou na hora.

Tem coisas que são a cara deles. Fazer cabaninha (às vezes ela fala “caverninha”) com o lençol ou se esconder debaixo dele, sempre deixando um pé ou um braço à mostra:

- Vem procurar a gente, mamãe!

Passar horas vendo televisão. Coisa mais chata. Mas eles adoram. E morrem de felicidade quando estão juntos a ver desenhos como “Aby Cadaby”.

Tomar sorvete. Edu, uma banana split devorada em três minutos. Helena, uma bola de sorvete de chocolate que acaba virando água porque ela prefere correr e brincar de se pendurar num corrimão da sorveteria. Aí, eu acabo tomando aquela coisa já sem graça, mas com um sabor único.

É bom demais.

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