quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Laiá, laiá

Já estou esperando o próximo São João. Pra ser ainda melhor do que o deste ano. Adoro muito festas. Festas de qualquer tipo. Batizado, chá de panela, aniversário de qualquer idade, primeira comunhão, casamento, carnaval.

E este São João vai ficar marcado por vários motivos. A música eleita por Helena:

"Tenho um segredo, menina
Cá dentro do peito
Que a noite passada
Quase que sem jeito
Pela madrugada
Ia revelar"

É aquela do refrão:

"Sem hesitar
Laiá, laiá
Laiá, laiá
Laiá, laiá-a"

Era meio-dia. A gente estava saindo do carro, já na garagem do prédio. Aí eu ouvi uma musiquinha de São João passar por perto e ir se distanciando. Coisa tão boazinha de se ouvir. Agarrei Helena pelos braços e fui pra rua. Dei um gritou e o moço me ouviu. Acabei com dois cd's - o de uma banda de pífanos tocando clássicos do São João apenas com os instrumentos e um disco com as melhores de Luiz Gonzaga.

O São João foi massa. Mais pelo arraial que eu improvisei algumas noites de junho no meio da sala do que pelas festas propriamente ditas. Dançamos e dançamos e dançamos.

Na Vila Aprendiz, a apresentação da nossa "farofinha" me fez chorar - que novidade, né?. Samba Lelê foi a música. Nem acreditei quando soube. É a música dela. Vestido de São João, chocalho na mão e a coreografia na ponta do pé. Coisa mais linda.

A festa junina do Boa Viagem, onde os primos estudam, também foi maravilhosa. Uma banda de forró ao vivo me fez relembrar grandes festas da minha infância. E como Helena dançou! Como se divertiu!

Teve também um forró de uma distribuidora de medicamentos (Hospfar) na Cachaçaria Carvalheira, mas pra esta fomos só eu e Edu. Dançamos a quadrilha, coisa que eu não fazia há muitos e muitos anos. Amei: balancê, passeio na roça, a chuva, a fotografia, a cobra, o túnel. Amei. E quero morrer vendo graça em tudo isso.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Helena, Edu e a furadeira que ele ainda não tinha
Estávamos os três ansiosos pela chegada do Dia dos Pais. É que o Dia das Mães foi muito bom e havia planos e expectativas para mais uma data. A gente gosta. A gente valoriza mesmo. Pena que Edu viajou pra São Paulo justamente na semana anterior ao domingo dos pais. Eu sabia que Lelêca faria na escola lembrancinhas todos os dias. Resolvi que iria deixá-las grudadas nos imãs da geladeira. Teve uma gravatinha de papelão azul marinho pintadinha com cola colorida vermelha e amarela. Teve um porta-retrato feito na aula de inglês com palitinhos de picolé. Um quadrinho com a mão da nossa pequena espalmada em tinta verde bem no meio. E o melhor de todos: um aviso para pendurar na porta do quarto com a seguinte mensagem: “Pare. Papai está dormindo”.

No início da semana, a escola havia pedido para que fosse enviada uma foto dos pais com seus filhos. Só descobri o porquê quando cheguei na quinta-feira para pegar Helena na escola. As fotos estavam coladas numa das paredes da sala. Ao lado de cada uma, palavras ditas pelas crianças e escritas por tia Mirela num coração de papel vermelho. Uma dizia: “Papai é lindo. Vou dar uma calça para ele de presente”. Outra: “Meu pai é legal. No Dia dos Pais, quero dar um carrão pra ele”. A frase de Helena: “Papai é comilão. Domingo, vou dar pratinho, garfinho, copinho e muitos doces para ele”. Não agüentei e dei uma gargalhada. Nem me pergunte de onde ela tirou isso que eu não sei. A única coisa que eu sei é que Edu ficou arrasado e passou a malhar mais a partir de então.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

menina ou mulher?

Cheguei em casa abrindo a porta devagarinho para fazer uma surpresa. Ela estava na sala. De calcinha, com uma faixa mal colocada na cabeça e um pedaço de milho cozido na mão. Correu ao meu encontro.

- Oi, mamãe!

Não gosto de milho in natura. Quando era criança, até arriscava no assado, mas do cozido eu nunca fui fã. Mesmo assim, quis fazer uma graça:

- Ôba! Milho! Me dá um pedacinho, Helena?

Ela respondeu:

- Não, mamãe. É só pra menina.

Franzi a testa:

- E a mamãe não é menina?

- Não. Tu é mulher!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

sopa de feijão


O aniversário de Juju foi uma festa para Helena. Cola colorida, música e primos reunidos: o domingo perfeito. E as coxinhas, claro. Elas também devem entrar na lista. Helena descobriu a delícia há pouco tempo. E finalmente se apaixonou. Durante a festinha, seu tempo foi dividido entre as brincadeiras e as idas à mesa do bolo, onde sempre ficava em duvida entre a coxinha e o docinho com um mini confeti em cima. Alguns acabaram ficando sem o chocolate e com o rombo do dedo de Helena na tentativa de apenas pegar o chocolate.

Depois de cantar parabéns, voltamos logo pra casa. Havia sopa de feijão novinha feita por Nenê. E coxinha não é comida que alimente, não é verdade? Pois bem, ao chegar em casa e abrir a porta, cuidei de dar o aviso:

- Lê, tem uma coisa especial que Nenê preparou pra gente esta noite!
- O quê, mamãe?

- Sopinha de feijão! Não é demais?

Silêncio. Depois um suspiro cheio de sofrimento. E o desabafo:

- Coitadinha de mim, pessoal...