sexta-feira, 13 de março de 2009

obrigada, Papai do Céu


Helena aprendeu a rezar a Ave Maria. O Santo Anjo também. Ela sempre completa a frase: de graça, vós, mulheres, fruto, ventre, Jesus. Senhor, guardador, confiou, divina, me rege, me guarde, me governe, me domine, amém.

É muito fofa. Quando eu convido ela pra rezar, imediatamente a pequena junta as mãozinhas e diz "começa, mamãe".

O Bal Masquezinho foi num domingo de fevereiro. Ela adorou aquela festinha de carnaval. Ficou extasiada vendo o palhaço Chocolate, seus dançarinos e um bumba-meu-boi no palco cantando e dançado frevo. Não queria ir embora.

Já era noite quando chegamos em casa.

Depois de todo o ritual noturno, que inclui o banho e o gagau, coloquei a figura na cama e fiz com ela as orações. Comecei a agradecer a "Papai do Céu" pelo dia, a caminha limpa, a comida, a união do papai e da mamãe, a saúde que nos embala. Para, em seguida, ela me surpreender mais uma vez:

- Papai do Céu, obrigada pelo carnaval. Obrigada pelo baile. Amém.


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Aconteceu novamente depois da festinha de carnaval que eu produzi lá no prédio no sábado de Zé Pereira. Eu queria reunir as crianças e ver todas brincarem o carnaval juntas. Até João Vinicius foi. Moradores do prédio, Thaís e Daniel, de 12 e 5 anos, também foram. Helena adora Thaís. Ela é muito doce com a minha filha. Um encanto de menina.

Todas as crianças se divertiram muito. Nenhuma delas mais do que Helena. Foram cinco sacos de confeti. O salão do prédio ficou coberto das bolinhas coloridas.

Teve até bolo para cantar parabéns pra mim. Meu aniversário tinha sido dois dias antes. De novo, Helena fez a festa. Apagou a vela umas quinze vezes.

Nesta noite, o agradecimento foi mais extenso, mas igualmente lindo, por ser de verdade:

- Papai do Céu, obrigada pelo confeti, obrigada por Thaís e obrigada pelo parabéns.

Tudo.


quarta-feira, 4 de março de 2009

pérolas de Helena


A preguiça nos dominava. É bom permitir que ela tome conta da gente de vez em quando - é bom permitir sem qualquer remorso.

Então, estávamos estirados, eu e Edu, no chão da sala, entre pepinos, uvas e pães de plástico que Helena adora espalhar para brincar de fazer compras. Devia estar bem no meio do corredor do mercado imaginário da minha garotinha, que chegou pertinho e pediu que eu me levantasse.

- Mamãe, levanta.

Respondi que estava com preguicinha, que aquela posição tava boa que só. Ela, como sempre, insistiu:

- Levanta, mamãe.

Ai, a preguiça era maior do que tudo. E a posição enroscada em Edu tava boa que só mesmo.

- Ô, filha, deixa a mamãe aqui.

Pirraceira como ela só, astuta e linda em sua medida, ela aplicou o golpe baixo:

- Levanta, meu coração...

Muitos, muitos risos!

E até hoje não faço idéia de onde ou com quem ela aprendeu a chamar os outros de "meu coração". E nem importa, afinal.

Ralf


Este é Ralf, o ratinho de estimação de Helena. Lindo, né? Agora ela tem o peixe Jeremias e o ratinho Ralf, que estampa a porta da geladeira da nossa casa.

cinco pedacinhos


Sempre que está se preparando para a escola, Helena faz a pergunta:

- Mamãe vai ficar na escolinha?

Respondo que sim, pelo menos um pedacinho. Mas ela insiste:

- Mamãe vai ficar?

E eu digo que sim, cinco minutinhos.

Hoje, enquanto eu penteava seu cabelo, a cabrita perguntou de novo se eu ficaria com ela na escolinha e eu respondi com uma "hã-hã". E então ela veio com essa:

- Mamãe vai ficar cinco pedacinhos?