segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

aprendiz de você

Helena e Chico, o jabuti de estimação da escola


Dias novos. Sua primeira semana na escola, meu bem. Aparente tranquilidade, mas um vuco-vuco de pensamentos – e sentimentos - povoando aqui dentro. Conflito danado entre a razão que me leva a ter orgulho de um lindo passo a ser dado rumo à sua independência e o afeto maternal que me manda estar ao teu lado, ali, juntinho. Fico entre as duas escolhas, uma cutucando a outra, e eu no meio, perdida, inquieta, mas feliz. Feliz. Incrível te ver expandindo horizontes.

Quando a sexta-feira chegou e eu me vi como a única mãe no meio daqueles passarinhos, fui em frente:

- Filha, mamãe precisa trabalhar e Helena vai ficar brincando aqui na escolinha...

Nem deu pra terminar.

- Qué trabaiá com a mamãe – dizia, chorando.

- Olha, Lê, tem pula-pula, tem os amiguinhos, tem as tias, muitas coisas pra aprender. Vai ser demais!

Fui firme o tempo inteiro. Eu precisava tentar para ver até aonde você ia. Mais cedo ou mais tarde, a mamãe ia mesmo ter que fazer isso.

- Você sabe que a mamãe volta. A mamãe sempre volta, filha.

Pronto. Dei um beijo, virei as costas, fechei os olhos e saí.

Saí nada. Fiquei ali do lado de fora, te catando através das brechinhas entre as toras de madeira que formam o lindo muro da Vila.

Foi apenas um chorinho o seu. Que se foi em dois minutos.

Meu coração ficou assim... do tamanho de uma azeitona. Tuas asas cresceram um pouco mais naquela hora.

E é assim mesmo, filha. O mundo é mesmo teu. Eu, como mãe perdidamente encantada, serei para sempre sua incansável torcedora.

Você me tem por perto. Mesmo que entre as brechas de um murinho, respeitando teu progresso e te deixando voar rumo a experiências e destinos que te façam feliz e maior a cada dia.

Te amo tanto.

“Eu faria tudo pra não te perder assim, mas um dia vem e deixo você ir”.