quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

transborda


Te ver assim, filha, pedindo por favor e desculpa espontaneamente; respondendo com um "hã-hã" quando quer dizer "sim" para alguma coisa; exclamar "incrível, né" quando acha algo sensacional; pedindo "um minutinho" quando nos deixa esperando; implorar a posição "bebezinha" quando quer um pouco de aconchegou ou quando está com sono; enfim, te ver descobrir o mundo com sua delicadeza e inocência peculiares é de tocar o coração.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

o nome dele é Jeremias


É o seu primeiro bichinho de estimação. Jeremias foi um presente da colônia de férias da Vila Aprendiz. Com sorte, conseguiu sobreviver a duas quedas no saco de plástico que Helena segurava quando eu e Edu chegamos para buscá-la.

- Ó, mãe, ó, pai, o peixinho!

De lá, fomos à lojinha próximo da Igreja Nova de Boa Viagem, onde inclusive Jeremias havia sido comprado. Saímos de lá com a nova casa de Jeremias e sua comida vitaminada.

Faz 12 dias e Jeremias continua lindo. Diferente do Cebolinha de Lucas, que morreu um dia depois, o coitado. Soube que foi de pedradas, durante churrasco de boas-vindas a Mano, Chrystinne e Gabrielzinho.

Eram cinco meninos. Não houve chance para qualquer defesa.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

o penico azul

É sempre uma festa ir ao supermercado. Cada corredor é uma fila interminável de surpresas e descobertas. O setor de cadeiras e mesas para varandas e piscinas é um de seus preferidos. Ela senta em todas, prova o conforto de cada uma, e sempre termina na espreguiçadeira, que ela jura que é um escorrego.

Era para comprar apenas carne e água sanitária. Mas a cada corredor algum item a mais era adicionado ao carrinho. Na seção infantil, Helena deu de cara com penicos de plástico, daqueles bem simples e pequenos até para ela. Adotou o azul claro e fez dele a sua companhia.

Primeiro, ele serviu de chapéu. A minha menina maluquinha, com sua graça singular, adorou desfilar com o objeto sobre a cabeça. "Ó", mostrava a quem quer que passasse, arrancando risos da maioria.

- Filha, isso é um penico, parecido com o troninho do ursinho que você tem lá em casa, lembra? É pra fazer xixi e cocô.

No corredor seguinte, ela colocou o penico no chão e se sentou.

- Mamãe, papai, xixi!

E foi assim por mais uns três ou quatro corredores, sempre "brincando" de fazer xixi.

Eduardo escolhia cereal e eu empurrava o carrinho quando Helena se levantou do penico mais uma vez. Agora, com o macaquinho que vestia todo molhado e xixi "de verdade" no tal penico! Nem me ocorreu que ela fosse fazer isso porque ela tinha ido ao banheiro assim que chegamos ao supermercado.

Que situação... Eu e Eduardo, com cara de cocô, no meio do supermercado, com um penico azul nas mãos cheio de xixi...

Não houve alternativa. O carrinho de limpeza amarelo estava bem ali. A servente, limpando o chão a poucos metros do local. Uma olhadela para um lado, outra olhadinha para o outro... e pronto! A água suja acumulada num de seus compartimentos agora era bem mais do que água.

E agora já sei: ao fazer compras em supermercados com nossa Helena, mantê-la longe de penicos e afins é a melhor estratégia. Até porque, da próxima vez, pode ser que ela resolva inovar e fazer outra coisa.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

no calar da madrugada

Depois de uma semana de noites ininterruptas de sono (o que será que Maceió tem?), a rotina se viu alterada por choros penosos de dor na calada da madrugada. Nem o afago nos cabelos, nem os leves beijos nas bochechas aveludadas, nem o acalentar em meus braços. Não houve jeito. Até que, minutos eternos depois, ouço um balbuciar sonolento entre uma lágrima e outra:

- Gagau...

Vamos fazer gagau. Bora. E bota leite. E acrescenta o Mucilon de arroz. E adiciona água. Força, garota, força para apertar essa garrafa térmica. Agita. Agita mais para não ficar com bolinha.

Detonou a mamadeira. Estava com fome mesmo. A bichinha.

Céu clareando. Os primeiros raios de luz brigando com as nuvens em profusão para chegar à minha janela - e vencidos por elas. Ao sono profundo, que deve ter durado umas três horas desde aquele gagau, vou dando adeus. Outro choro. Mais frágil, apelativo, quase um clamor. De novo, nem o afago nos cabelos, nem os leves beijos nas bochechas aveludadas, nem o acalentar em meus braços deram fim aquele tormento. E então:

- Pi!

- Pi, não filha, o pi (peito) tá dodói, não dá.

- Gagau...

Um espanto! Outro gagau? Ave Maria! Como assim?

Enfim, tomou quase todo. Só que o estômago cheio não garantiu sucesso algum. O choro não teve fim.

- Ente, ente, ente.

- O quê, meu bem, diga, o que é que você quer?

- Ente! Ente! Ente!

E lá fui ao banheiro buscar o tubo de desodorante aerosol com que ela brincara a tarde inteira no dia anterior.

- Aqui, o desodorante. Tome, vá dormir com ele.

- Ente!!!!!!!

E o choro ficou mais forte, uma mistura de desalento e raiva.

Meu Deus, ente? Ente... ente... dente!!!! Isso! Dente!

- Ô, filhota, é o dente é? Tá doendo? Vai ficar boa, bebê. Venha cá, venha. Dente chato, perturbando o sono da minha menina. Chato, chato, chato!

Aliviada por se fazer entendida, vitoriosa naquela batalha da comunicação, foi relaxando, relaxando e, não deu um minuto, já adormecia novamente em meus braços. Para acordar às 08:30 feliz da vida. E a mamãe de pé há algumas horas.

ele é incrível

Foi um bom dia de trabalho. Mais um dia feliz. Olha que bom. Só faltava mesmo ele para deixar tudo mais legal.

Fim de tarde e resolvo dar uma ligada, só para ouvir a voz, sentir ele mais perto de mim. Durou só um minuto. Desligou rápido depois que eu perguntei onde ele estava.

- No supermercado. Péra que daqui a pouco eu ligo.

E não ligou. Sei não, mas ficou aquela sensação de "ele está aprontando alguma". E estava mesmo.

Cheguei em casa quase oito da noite. Como de costume, assoviei bem alto para ouvir em seguida o grito da Lelêca:

- Mamãe!

Acocoro junto à porta. Ao abrir, dou de cara com a figurinha: calcinha de moranguinhos, cabelos cacheados divididos ao meio e presos com tic tac e uma bolacha na mão.

- Boiacha!

- Que delícia essa bolacha, filha!

- Papai!

E apontou para a mesa.

Foram os melhores segundos do dia. Ver o meu Edu ali, acocorado atrás da cadeira tentando se esconder e sendo entregue pela sinceridade da nossa pequena. De mãos dadas comigo e a me puxar na direção dele, só sossegou quando viu a gente se beijando e se abraçando.

- Papai... Mamãe....

Edu é perito nisso. Em encantar. Mesmo depois de oito anos, ainda vejo nele aquele menino lindo de coração apaixonante e dedicado. Não agüentou de saudade. Veio para passar menos de 24h. Pouco tempo, é verdade, mas foram horas muito deliciosas. Vê-lo ali brincando com a bebê - os olhos tilintando - e depois tê-lo comigo por horas preciosas - e incríveis - foi tudo.

Não tenho medo do amor. Nem ele. Ainda bem.

sábado, 3 de janeiro de 2009

comida ou cocô?

Faz alguns meses. Estávamos com Helena no shopping provando sapatos quando ela abriu uma das caixas e pegou um adesivo que vem de brinde na compra de um tênis. Na intenção de impedir que ela o colocasse na boca, alertei:

- Filha, você já sabe. O que a gente deve levar à boca é co...

Certa de que ela iria dizer "comida", acabei tendo uma surpresa. A pequena parou, pensou e falou em alto e bom som, com a inocência de quem tem a alma pura mesmo:

- Cocô, mamãe!

papai noel


25 de dezembro de 2008. De manhãzinha, ainda deitados, ouvimos as palavras em profusão da nossa pequena. Falante, ela estava de bom-humor. E falava. E ria. Não dava para ficar mais deitados.

- Bom dia! Como está esta menininha?

- A árvore!

- Que linda, filha, a árvore de Natal!

- Papai Noel...

E então a campainha tocou.

- Quem será, Helena? Será que é Papai Noel vindo deixar o teu presentinho? Vamos ver com ela, papai?

E fomos, os três, abrir a porta.

- Presentes!

Espantada com os presentinhos que se empilhavam sobre o tapete da entrada, não se conteve e quis agarrar todos. Eram um tecladinho da Hello Kitty, dois livros de colorir e um box de DVD's do Patati Patatá e o outro, do Barney.

E foi assim que Papai Noel fez a sua terceira visita à nossa Lelêca. Não desceu pela chaminé, mas subiu pelo elevador!

O que será que ele vai aprontar em 2009, hein?