domingo, 4 de outubro de 2009

a primeira bike


Começou com uma Hello Kitty que nós compramos na praia. Depois foi um porquinho. Ambos de barro. No início, entravam moedas de todo tipo, até de cinco centavos. Então, resolvi ficar mais rigorosa para não ocupar espaço com pequenos valores. Venceram as de 25, 50 e 1. E já estava resolvido: seriam para o presente do Dia das Crianças.

Ontem foi o dia de quebrar os dois. Estavam bem pesados.

- Pra mim não tem mais que R$ 50, disse Nenê.

- Tem menos de R$ 100,00, arriscou Eduardo.

Eu chutei R$ 120,00. Como o martelo de Edu estava difícil de achar, a solução foi improvisar com o martelo de bater carne. Um ritual para todos nós, crianças assim como Helena naquele momento de expectativa. Ao se partir em pedacinhos com a força de nosso golpe conjunto, meu e de Lê, o porquinho pareceu um grande baú de tesouro. Moedas reluzentes. Muitas, muitas. Pra gente, elas valeram muito mais do que valeriam pra qualquer outra pessoa. Fui separando por grupo. Lelê participando ativamente. Edu comendo um sanduíche sentado no sofá, mas envolvido pelo clima lúdico que remete à infância de todos nós. Nenê na cozinha, impressionada com a chuva de pratas.

Vocês não têm noção. Havia R$ 205.00! Afe! Parecia uma mega-sena, sabe? Muito engraçado tudo isso, mas parecia mesmo.

A primeira bicicleta de Lelêca tem uma história legal que a nossa própria filhota ajudou a construir cada vez que depositava moedas em seu porquinho. É especial. Tudo é.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

despertador


É assim todo dia. Dá 6:30 e eu sinto um pitôco puxando o dedão do meu pé. Então, ela vai se chegando, se chegando e se joga entre mim e Edu. Se agarra com o pescoço da gente. Enfia o rosto no nosso cangote. Entrelaça a própria perna na perna de um de nós como uma cobra inquieta. Semana passada, como sempre, foi assim também. Preguiça gostosa de sentir. Desejo danado de que fosse uma hora a menos para que pudéssemos estender por mais tempo todo aquele puxa-encolhe.

Ela estava mais grudada no pai naquela manhã. Os dois são a corda e a caneca. Se embrulham embaixo do lençol, se retorcem que nem um caracol e dão início às manhãs a uma velocidade de 10 km/h. Naquela manhã, até eu estava meio devagarinho. Ainda entre o dormir e o acordar, mas com os ouvidos a postos para testemunhar a declaração de amor gratuita sussurrada no pé do ouvido do pai por nossa Lelê. As mãos miúdas na bochecha dele:

- Papai, eu te amo desde pequenininha.

Ele acordou na hora.

Tem coisas que são a cara deles. Fazer cabaninha (às vezes ela fala “caverninha”) com o lençol ou se esconder debaixo dele, sempre deixando um pé ou um braço à mostra:

- Vem procurar a gente, mamãe!

Passar horas vendo televisão. Coisa mais chata. Mas eles adoram. E morrem de felicidade quando estão juntos a ver desenhos como “Aby Cadaby”.

Tomar sorvete. Edu, uma banana split devorada em três minutos. Helena, uma bola de sorvete de chocolate que acaba virando água porque ela prefere correr e brincar de se pendurar num corrimão da sorveteria. Aí, eu acabo tomando aquela coisa já sem graça, mas com um sabor único.

É bom demais.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Laiá, laiá

Já estou esperando o próximo São João. Pra ser ainda melhor do que o deste ano. Adoro muito festas. Festas de qualquer tipo. Batizado, chá de panela, aniversário de qualquer idade, primeira comunhão, casamento, carnaval.

E este São João vai ficar marcado por vários motivos. A música eleita por Helena:

"Tenho um segredo, menina
Cá dentro do peito
Que a noite passada
Quase que sem jeito
Pela madrugada
Ia revelar"

É aquela do refrão:

"Sem hesitar
Laiá, laiá
Laiá, laiá
Laiá, laiá-a"

Era meio-dia. A gente estava saindo do carro, já na garagem do prédio. Aí eu ouvi uma musiquinha de São João passar por perto e ir se distanciando. Coisa tão boazinha de se ouvir. Agarrei Helena pelos braços e fui pra rua. Dei um gritou e o moço me ouviu. Acabei com dois cd's - o de uma banda de pífanos tocando clássicos do São João apenas com os instrumentos e um disco com as melhores de Luiz Gonzaga.

O São João foi massa. Mais pelo arraial que eu improvisei algumas noites de junho no meio da sala do que pelas festas propriamente ditas. Dançamos e dançamos e dançamos.

Na Vila Aprendiz, a apresentação da nossa "farofinha" me fez chorar - que novidade, né?. Samba Lelê foi a música. Nem acreditei quando soube. É a música dela. Vestido de São João, chocalho na mão e a coreografia na ponta do pé. Coisa mais linda.

A festa junina do Boa Viagem, onde os primos estudam, também foi maravilhosa. Uma banda de forró ao vivo me fez relembrar grandes festas da minha infância. E como Helena dançou! Como se divertiu!

Teve também um forró de uma distribuidora de medicamentos (Hospfar) na Cachaçaria Carvalheira, mas pra esta fomos só eu e Edu. Dançamos a quadrilha, coisa que eu não fazia há muitos e muitos anos. Amei: balancê, passeio na roça, a chuva, a fotografia, a cobra, o túnel. Amei. E quero morrer vendo graça em tudo isso.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Dia dos Pais

Helena, Edu e a furadeira que ele ainda não tinha
Estávamos os três ansiosos pela chegada do Dia dos Pais. É que o Dia das Mães foi muito bom e havia planos e expectativas para mais uma data. A gente gosta. A gente valoriza mesmo. Pena que Edu viajou pra São Paulo justamente na semana anterior ao domingo dos pais. Eu sabia que Lelêca faria na escola lembrancinhas todos os dias. Resolvi que iria deixá-las grudadas nos imãs da geladeira. Teve uma gravatinha de papelão azul marinho pintadinha com cola colorida vermelha e amarela. Teve um porta-retrato feito na aula de inglês com palitinhos de picolé. Um quadrinho com a mão da nossa pequena espalmada em tinta verde bem no meio. E o melhor de todos: um aviso para pendurar na porta do quarto com a seguinte mensagem: “Pare. Papai está dormindo”.

No início da semana, a escola havia pedido para que fosse enviada uma foto dos pais com seus filhos. Só descobri o porquê quando cheguei na quinta-feira para pegar Helena na escola. As fotos estavam coladas numa das paredes da sala. Ao lado de cada uma, palavras ditas pelas crianças e escritas por tia Mirela num coração de papel vermelho. Uma dizia: “Papai é lindo. Vou dar uma calça para ele de presente”. Outra: “Meu pai é legal. No Dia dos Pais, quero dar um carrão pra ele”. A frase de Helena: “Papai é comilão. Domingo, vou dar pratinho, garfinho, copinho e muitos doces para ele”. Não agüentei e dei uma gargalhada. Nem me pergunte de onde ela tirou isso que eu não sei. A única coisa que eu sei é que Edu ficou arrasado e passou a malhar mais a partir de então.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

menina ou mulher?

Cheguei em casa abrindo a porta devagarinho para fazer uma surpresa. Ela estava na sala. De calcinha, com uma faixa mal colocada na cabeça e um pedaço de milho cozido na mão. Correu ao meu encontro.

- Oi, mamãe!

Não gosto de milho in natura. Quando era criança, até arriscava no assado, mas do cozido eu nunca fui fã. Mesmo assim, quis fazer uma graça:

- Ôba! Milho! Me dá um pedacinho, Helena?

Ela respondeu:

- Não, mamãe. É só pra menina.

Franzi a testa:

- E a mamãe não é menina?

- Não. Tu é mulher!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

sopa de feijão


O aniversário de Juju foi uma festa para Helena. Cola colorida, música e primos reunidos: o domingo perfeito. E as coxinhas, claro. Elas também devem entrar na lista. Helena descobriu a delícia há pouco tempo. E finalmente se apaixonou. Durante a festinha, seu tempo foi dividido entre as brincadeiras e as idas à mesa do bolo, onde sempre ficava em duvida entre a coxinha e o docinho com um mini confeti em cima. Alguns acabaram ficando sem o chocolate e com o rombo do dedo de Helena na tentativa de apenas pegar o chocolate.

Depois de cantar parabéns, voltamos logo pra casa. Havia sopa de feijão novinha feita por Nenê. E coxinha não é comida que alimente, não é verdade? Pois bem, ao chegar em casa e abrir a porta, cuidei de dar o aviso:

- Lê, tem uma coisa especial que Nenê preparou pra gente esta noite!
- O quê, mamãe?

- Sopinha de feijão! Não é demais?

Silêncio. Depois um suspiro cheio de sofrimento. E o desabafo:

- Coitadinha de mim, pessoal...

terça-feira, 2 de junho de 2009

número 3

Descobri na numerologia que o nome completo de Helena está atrelado ao 3. Fiquei surpresa ao ler o texto sobre os pequenos regidos por esse número. Sorri a cada frase e balancei a cabeça afirmativamente inúmeras vezes. Filha, você é mesmo assim, mas não só assim, porque você é única e tem particularidades que pertencem a você e a mais ninguém.

Lá vai:

"O pequeno 3 é alegre, desinibido, travesso e encantador. É brincalhão e está sempre preparado para montar um espetáculo. Pode enfrentar a presença do público com assombrosa sofisticação. No bebê já é possível notar este talento já que é por sua natureza sorridente e alegre.

Costuma chamar a atenção e cativar os demais. As pessoas ficam fazendo gracinha pro seu filho, falando como criancinhas e fazendo caretas no consultório do pediatra? Bem, provavelmente seu filho é um número 3. À medida em que o bebê for crescendo, mostrará uma notável agilidade corporal, uma natureza atlética e bom equilíbrio.

De forma natural, é popular, porém pode ter problemas quando não é sua vez de jogar ou simplesmente quando não é permitido que se destaque. Pode sentir as repreensões e desaprovações acidentais como graves ofensas. E aí a saída é a infantilização de comportamento. Nestas situações tente ajudar seu filho 3 a compreender que ninguém está tentando ridicularizá-lo, mesmo que se sinta gravemente humilhado, já que é muito importante para ele sentir-se querido e apreciado.

Você deve lembrar a seu filho, amavelmente, seus limites e o dos demais, de modo que você sirva como um apoio e não como crítico.Recomenda-se alguma atividade para a livre expressão corporal de seu filho, como teatro e dança. Algum tipo de exercício físico para evitar que reprima sua energia e se expresse de forma pouco produtiva.É provável que seu pequeno fale cedo. Curioso e completamente explorador, ele necessita de um ambiente estimulador para se sentir feliz, podendo ficar entediado com a rotina.Costuma mostrar-se caprichoso e mimado pois, com o seu charme, têm suas vontades satisfeitas.

Normalmente os mais velhos permitem mais do que deveriam a ele.Fique atento pois a criança 3 pode ser realmente manipuladora. Ele pode também sair com mentirinhas para se livrar de algumas situações. O pequeno 3 acreditará em qualquer história que ele invente, e assim obter sucesso em seu vôo de fantasia. Além de sua imaginação fértil ele tem a facilidade em conseguir o que deseja usando habilmente as palavras.

O pequeno 3 definitivamente não é agarrado, pelo contrário, ele se sente feliz de andar por aí, explorar os ambientes. Tem uma extensão curta da atenção, sendo disperso em muitas situações. Você deve ensiná-lo a se concentrar, a ter auto-domínio e a viver na realidade.Para resumir o pequeno 3 é um grande comunicador, é inteligente e criativo".


segunda-feira, 1 de junho de 2009

peppa pig

Uma família feliz

Premiado pela Academia Britânica de Televisão por dois anos seguidos como o melhor para as crianças em idade pré-escolar, o desenho animado Peppa Pig é um presente também para qualquer adulto que comungue valores como união familiar, respeito ao próximo - e às diferenças, altruísmo, bom-humor e sociabilidade. É a mais nova paixão de Helena. Um convite a quem mantém acesos sonhos e imaginação.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

o dia


Era sexta-feira, 25 de abril. Logo que chegamos à escola, as professoras dirigiram as crianças para a sala multifuncional no primeiro andar. Pediram que nós sentássemos no pátio onde os pequenos fazem o lanche. Não demorou muito e a cozinheira chegou na minha frente. Ela estava distribuindo guardanapos de papel. Peguei um, mas seria insuficiente. Peguei outro. Então, do primeiro andar, em fila indiana e de mãos dadas, eles começaram a descer a rampa. Cada um com um blusão branco pintado por eles mesmos com a mensagem: "Mamãe, fui eu quem fiz". Uma rosa nas mãos. E a música:

Eu estou pensando em você.
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só

Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
E com você me sinto bem

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer.

Não deu pra segurar. Ela estava linda. A camisa branca maior do que ela. Os cabelos cacheados, de lado. Os olhos acelerados, a me procurar.

Eu já chorava sem parar. O coração embrulhado em turbilhões de sentimentos. E a curta história de vida da nossa doçura a percorrer em imagens, sons, cheiros e poesia a minha mente.

De repente, nossos olhares se encontraram. "Pra você, mamãe! Pra você!".

Ganhei a blusa e a rosa. Acima disto, o mais arrebatador dos abraços.


Sou eu quem nunca mais vai esquecer, Helena. Nunca, nunca mais.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

brinquedos de infância


Charlie e Lola dormem e acordam com Helena. No meio deles, tem esse sapo que a gente trouxe de São Paulo pra ela. Ele balança a cabeça quando exposto à luz do sol. Charlie e Lola também vieram de São Paulo. Eduardo pirou quando viu numa loja de brinquedos. Era lançamento. Ainda não tinham chegado às lojas do Recife. Só que é preciso confessar: quem mais curte esses dois sou eu (rs).


Todo mundo gosta desse papagaio. Helena ganhou no aniversário de dois anos dela. A mãe da Ana, Antoniêta, quem deu. O papagaio tem um gravador dentro dele que repete o que a gente fala. E Helena a-do-ra. Eu também.

abc


Cheguei em casa ontem um pouco mais cedo do que de costume, mas Edu já tinha saído para a faculdade. Ele está perto de terminar o MBA dele em marketing.

Primeira coisa que tenho feito assim que piso no meu doce lar é correr para o banheiro. Eu não tenho tido tempo de fazer xixi em outra hora.

Helena já entendeu isso e aceita, a bela.

A segunda coisa que faço, tendo ou não feito xixi, é lavar as mãos. Hábito da mãe de primeira viagem que lavava as mãos para qualquer coisa quando tinha em casa ainda aquela bebezinha - hoje uma garota levada e linda.

Depois disso, me sinto à vontade para mergulhar no sofá com a filhota e conversar e conversar e conversar. Pergunto como foi o dia dela, quem ela encontrou no P1, o que lanchou e por aí vai.
Perguntei também se Edu já tinha saído pra faculdade. E ela, bem certa do que falava, e levantando as mãozinhas no gesto típico de quando quer explicar alguma coisa, respondeu:

- Saiu sim, mamãe. Foi aprender o abc.

nova brasil


A música exerce mesmo um poder inquestionável sobre as pessoas. E não importa a idade. Foi num destes domingos de março. Depois de fazer um lanche na feirinha de Boa Viagem, eu e Helena pegamos uma carona com Rosana, Lúcio e os meninos. Entramos, no Fiat Uno deles, nos acomodamos e, poucos segundos depois, Helena perguntou:

- Tia Rosana, pode ligar o rádio?

E Rosana respondeu que infelizmente o carro da tia não tinha som, não tinha rádio. E Helena, no auge de seus dois anos, um pingo de gente, insistiu:

- Liga, tia Rosana, na Nova Brasil, por favor.

Gargalhada geral, claro, né?

Mas sabe que foi bom não ter som naquela hora? Porque em seguida organizamos um coro e fomos pra casa cantando canções que não tocariam em nenhuma rádio.

"A barata diz que tem sete saias de filó/é mentira da barata/ela tem é uma só/rárárá/róróró/ela tem é uma só/rárárá/róróró/ela tem é uma só"

sexta-feira, 13 de março de 2009

obrigada, Papai do Céu


Helena aprendeu a rezar a Ave Maria. O Santo Anjo também. Ela sempre completa a frase: de graça, vós, mulheres, fruto, ventre, Jesus. Senhor, guardador, confiou, divina, me rege, me guarde, me governe, me domine, amém.

É muito fofa. Quando eu convido ela pra rezar, imediatamente a pequena junta as mãozinhas e diz "começa, mamãe".

O Bal Masquezinho foi num domingo de fevereiro. Ela adorou aquela festinha de carnaval. Ficou extasiada vendo o palhaço Chocolate, seus dançarinos e um bumba-meu-boi no palco cantando e dançado frevo. Não queria ir embora.

Já era noite quando chegamos em casa.

Depois de todo o ritual noturno, que inclui o banho e o gagau, coloquei a figura na cama e fiz com ela as orações. Comecei a agradecer a "Papai do Céu" pelo dia, a caminha limpa, a comida, a união do papai e da mamãe, a saúde que nos embala. Para, em seguida, ela me surpreender mais uma vez:

- Papai do Céu, obrigada pelo carnaval. Obrigada pelo baile. Amém.


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Aconteceu novamente depois da festinha de carnaval que eu produzi lá no prédio no sábado de Zé Pereira. Eu queria reunir as crianças e ver todas brincarem o carnaval juntas. Até João Vinicius foi. Moradores do prédio, Thaís e Daniel, de 12 e 5 anos, também foram. Helena adora Thaís. Ela é muito doce com a minha filha. Um encanto de menina.

Todas as crianças se divertiram muito. Nenhuma delas mais do que Helena. Foram cinco sacos de confeti. O salão do prédio ficou coberto das bolinhas coloridas.

Teve até bolo para cantar parabéns pra mim. Meu aniversário tinha sido dois dias antes. De novo, Helena fez a festa. Apagou a vela umas quinze vezes.

Nesta noite, o agradecimento foi mais extenso, mas igualmente lindo, por ser de verdade:

- Papai do Céu, obrigada pelo confeti, obrigada por Thaís e obrigada pelo parabéns.

Tudo.


quarta-feira, 4 de março de 2009

pérolas de Helena


A preguiça nos dominava. É bom permitir que ela tome conta da gente de vez em quando - é bom permitir sem qualquer remorso.

Então, estávamos estirados, eu e Edu, no chão da sala, entre pepinos, uvas e pães de plástico que Helena adora espalhar para brincar de fazer compras. Devia estar bem no meio do corredor do mercado imaginário da minha garotinha, que chegou pertinho e pediu que eu me levantasse.

- Mamãe, levanta.

Respondi que estava com preguicinha, que aquela posição tava boa que só. Ela, como sempre, insistiu:

- Levanta, mamãe.

Ai, a preguiça era maior do que tudo. E a posição enroscada em Edu tava boa que só mesmo.

- Ô, filha, deixa a mamãe aqui.

Pirraceira como ela só, astuta e linda em sua medida, ela aplicou o golpe baixo:

- Levanta, meu coração...

Muitos, muitos risos!

E até hoje não faço idéia de onde ou com quem ela aprendeu a chamar os outros de "meu coração". E nem importa, afinal.

Ralf


Este é Ralf, o ratinho de estimação de Helena. Lindo, né? Agora ela tem o peixe Jeremias e o ratinho Ralf, que estampa a porta da geladeira da nossa casa.

cinco pedacinhos


Sempre que está se preparando para a escola, Helena faz a pergunta:

- Mamãe vai ficar na escolinha?

Respondo que sim, pelo menos um pedacinho. Mas ela insiste:

- Mamãe vai ficar?

E eu digo que sim, cinco minutinhos.

Hoje, enquanto eu penteava seu cabelo, a cabrita perguntou de novo se eu ficaria com ela na escolinha e eu respondi com uma "hã-hã". E então ela veio com essa:

- Mamãe vai ficar cinco pedacinhos?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

aprendiz de você

Helena e Chico, o jabuti de estimação da escola


Dias novos. Sua primeira semana na escola, meu bem. Aparente tranquilidade, mas um vuco-vuco de pensamentos – e sentimentos - povoando aqui dentro. Conflito danado entre a razão que me leva a ter orgulho de um lindo passo a ser dado rumo à sua independência e o afeto maternal que me manda estar ao teu lado, ali, juntinho. Fico entre as duas escolhas, uma cutucando a outra, e eu no meio, perdida, inquieta, mas feliz. Feliz. Incrível te ver expandindo horizontes.

Quando a sexta-feira chegou e eu me vi como a única mãe no meio daqueles passarinhos, fui em frente:

- Filha, mamãe precisa trabalhar e Helena vai ficar brincando aqui na escolinha...

Nem deu pra terminar.

- Qué trabaiá com a mamãe – dizia, chorando.

- Olha, Lê, tem pula-pula, tem os amiguinhos, tem as tias, muitas coisas pra aprender. Vai ser demais!

Fui firme o tempo inteiro. Eu precisava tentar para ver até aonde você ia. Mais cedo ou mais tarde, a mamãe ia mesmo ter que fazer isso.

- Você sabe que a mamãe volta. A mamãe sempre volta, filha.

Pronto. Dei um beijo, virei as costas, fechei os olhos e saí.

Saí nada. Fiquei ali do lado de fora, te catando através das brechinhas entre as toras de madeira que formam o lindo muro da Vila.

Foi apenas um chorinho o seu. Que se foi em dois minutos.

Meu coração ficou assim... do tamanho de uma azeitona. Tuas asas cresceram um pouco mais naquela hora.

E é assim mesmo, filha. O mundo é mesmo teu. Eu, como mãe perdidamente encantada, serei para sempre sua incansável torcedora.

Você me tem por perto. Mesmo que entre as brechas de um murinho, respeitando teu progresso e te deixando voar rumo a experiências e destinos que te façam feliz e maior a cada dia.

Te amo tanto.

“Eu faria tudo pra não te perder assim, mas um dia vem e deixo você ir”.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

transborda


Te ver assim, filha, pedindo por favor e desculpa espontaneamente; respondendo com um "hã-hã" quando quer dizer "sim" para alguma coisa; exclamar "incrível, né" quando acha algo sensacional; pedindo "um minutinho" quando nos deixa esperando; implorar a posição "bebezinha" quando quer um pouco de aconchegou ou quando está com sono; enfim, te ver descobrir o mundo com sua delicadeza e inocência peculiares é de tocar o coração.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

o nome dele é Jeremias


É o seu primeiro bichinho de estimação. Jeremias foi um presente da colônia de férias da Vila Aprendiz. Com sorte, conseguiu sobreviver a duas quedas no saco de plástico que Helena segurava quando eu e Edu chegamos para buscá-la.

- Ó, mãe, ó, pai, o peixinho!

De lá, fomos à lojinha próximo da Igreja Nova de Boa Viagem, onde inclusive Jeremias havia sido comprado. Saímos de lá com a nova casa de Jeremias e sua comida vitaminada.

Faz 12 dias e Jeremias continua lindo. Diferente do Cebolinha de Lucas, que morreu um dia depois, o coitado. Soube que foi de pedradas, durante churrasco de boas-vindas a Mano, Chrystinne e Gabrielzinho.

Eram cinco meninos. Não houve chance para qualquer defesa.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

o penico azul

É sempre uma festa ir ao supermercado. Cada corredor é uma fila interminável de surpresas e descobertas. O setor de cadeiras e mesas para varandas e piscinas é um de seus preferidos. Ela senta em todas, prova o conforto de cada uma, e sempre termina na espreguiçadeira, que ela jura que é um escorrego.

Era para comprar apenas carne e água sanitária. Mas a cada corredor algum item a mais era adicionado ao carrinho. Na seção infantil, Helena deu de cara com penicos de plástico, daqueles bem simples e pequenos até para ela. Adotou o azul claro e fez dele a sua companhia.

Primeiro, ele serviu de chapéu. A minha menina maluquinha, com sua graça singular, adorou desfilar com o objeto sobre a cabeça. "Ó", mostrava a quem quer que passasse, arrancando risos da maioria.

- Filha, isso é um penico, parecido com o troninho do ursinho que você tem lá em casa, lembra? É pra fazer xixi e cocô.

No corredor seguinte, ela colocou o penico no chão e se sentou.

- Mamãe, papai, xixi!

E foi assim por mais uns três ou quatro corredores, sempre "brincando" de fazer xixi.

Eduardo escolhia cereal e eu empurrava o carrinho quando Helena se levantou do penico mais uma vez. Agora, com o macaquinho que vestia todo molhado e xixi "de verdade" no tal penico! Nem me ocorreu que ela fosse fazer isso porque ela tinha ido ao banheiro assim que chegamos ao supermercado.

Que situação... Eu e Eduardo, com cara de cocô, no meio do supermercado, com um penico azul nas mãos cheio de xixi...

Não houve alternativa. O carrinho de limpeza amarelo estava bem ali. A servente, limpando o chão a poucos metros do local. Uma olhadela para um lado, outra olhadinha para o outro... e pronto! A água suja acumulada num de seus compartimentos agora era bem mais do que água.

E agora já sei: ao fazer compras em supermercados com nossa Helena, mantê-la longe de penicos e afins é a melhor estratégia. Até porque, da próxima vez, pode ser que ela resolva inovar e fazer outra coisa.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

no calar da madrugada

Depois de uma semana de noites ininterruptas de sono (o que será que Maceió tem?), a rotina se viu alterada por choros penosos de dor na calada da madrugada. Nem o afago nos cabelos, nem os leves beijos nas bochechas aveludadas, nem o acalentar em meus braços. Não houve jeito. Até que, minutos eternos depois, ouço um balbuciar sonolento entre uma lágrima e outra:

- Gagau...

Vamos fazer gagau. Bora. E bota leite. E acrescenta o Mucilon de arroz. E adiciona água. Força, garota, força para apertar essa garrafa térmica. Agita. Agita mais para não ficar com bolinha.

Detonou a mamadeira. Estava com fome mesmo. A bichinha.

Céu clareando. Os primeiros raios de luz brigando com as nuvens em profusão para chegar à minha janela - e vencidos por elas. Ao sono profundo, que deve ter durado umas três horas desde aquele gagau, vou dando adeus. Outro choro. Mais frágil, apelativo, quase um clamor. De novo, nem o afago nos cabelos, nem os leves beijos nas bochechas aveludadas, nem o acalentar em meus braços deram fim aquele tormento. E então:

- Pi!

- Pi, não filha, o pi (peito) tá dodói, não dá.

- Gagau...

Um espanto! Outro gagau? Ave Maria! Como assim?

Enfim, tomou quase todo. Só que o estômago cheio não garantiu sucesso algum. O choro não teve fim.

- Ente, ente, ente.

- O quê, meu bem, diga, o que é que você quer?

- Ente! Ente! Ente!

E lá fui ao banheiro buscar o tubo de desodorante aerosol com que ela brincara a tarde inteira no dia anterior.

- Aqui, o desodorante. Tome, vá dormir com ele.

- Ente!!!!!!!

E o choro ficou mais forte, uma mistura de desalento e raiva.

Meu Deus, ente? Ente... ente... dente!!!! Isso! Dente!

- Ô, filhota, é o dente é? Tá doendo? Vai ficar boa, bebê. Venha cá, venha. Dente chato, perturbando o sono da minha menina. Chato, chato, chato!

Aliviada por se fazer entendida, vitoriosa naquela batalha da comunicação, foi relaxando, relaxando e, não deu um minuto, já adormecia novamente em meus braços. Para acordar às 08:30 feliz da vida. E a mamãe de pé há algumas horas.

ele é incrível

Foi um bom dia de trabalho. Mais um dia feliz. Olha que bom. Só faltava mesmo ele para deixar tudo mais legal.

Fim de tarde e resolvo dar uma ligada, só para ouvir a voz, sentir ele mais perto de mim. Durou só um minuto. Desligou rápido depois que eu perguntei onde ele estava.

- No supermercado. Péra que daqui a pouco eu ligo.

E não ligou. Sei não, mas ficou aquela sensação de "ele está aprontando alguma". E estava mesmo.

Cheguei em casa quase oito da noite. Como de costume, assoviei bem alto para ouvir em seguida o grito da Lelêca:

- Mamãe!

Acocoro junto à porta. Ao abrir, dou de cara com a figurinha: calcinha de moranguinhos, cabelos cacheados divididos ao meio e presos com tic tac e uma bolacha na mão.

- Boiacha!

- Que delícia essa bolacha, filha!

- Papai!

E apontou para a mesa.

Foram os melhores segundos do dia. Ver o meu Edu ali, acocorado atrás da cadeira tentando se esconder e sendo entregue pela sinceridade da nossa pequena. De mãos dadas comigo e a me puxar na direção dele, só sossegou quando viu a gente se beijando e se abraçando.

- Papai... Mamãe....

Edu é perito nisso. Em encantar. Mesmo depois de oito anos, ainda vejo nele aquele menino lindo de coração apaixonante e dedicado. Não agüentou de saudade. Veio para passar menos de 24h. Pouco tempo, é verdade, mas foram horas muito deliciosas. Vê-lo ali brincando com a bebê - os olhos tilintando - e depois tê-lo comigo por horas preciosas - e incríveis - foi tudo.

Não tenho medo do amor. Nem ele. Ainda bem.

sábado, 3 de janeiro de 2009

comida ou cocô?

Faz alguns meses. Estávamos com Helena no shopping provando sapatos quando ela abriu uma das caixas e pegou um adesivo que vem de brinde na compra de um tênis. Na intenção de impedir que ela o colocasse na boca, alertei:

- Filha, você já sabe. O que a gente deve levar à boca é co...

Certa de que ela iria dizer "comida", acabei tendo uma surpresa. A pequena parou, pensou e falou em alto e bom som, com a inocência de quem tem a alma pura mesmo:

- Cocô, mamãe!

papai noel


25 de dezembro de 2008. De manhãzinha, ainda deitados, ouvimos as palavras em profusão da nossa pequena. Falante, ela estava de bom-humor. E falava. E ria. Não dava para ficar mais deitados.

- Bom dia! Como está esta menininha?

- A árvore!

- Que linda, filha, a árvore de Natal!

- Papai Noel...

E então a campainha tocou.

- Quem será, Helena? Será que é Papai Noel vindo deixar o teu presentinho? Vamos ver com ela, papai?

E fomos, os três, abrir a porta.

- Presentes!

Espantada com os presentinhos que se empilhavam sobre o tapete da entrada, não se conteve e quis agarrar todos. Eram um tecladinho da Hello Kitty, dois livros de colorir e um box de DVD's do Patati Patatá e o outro, do Barney.

E foi assim que Papai Noel fez a sua terceira visita à nossa Lelêca. Não desceu pela chaminé, mas subiu pelo elevador!

O que será que ele vai aprontar em 2009, hein?